
Giordano, Careca e Maradona no Napoli
“Oh mamma mamma mamma, Oh mamma mamma mamma sai, perchè, mi batte el corazon ho visto Maradona, ho visto Maradona eh mammà !!! Innamorato son!”
Iniciando pela recepção calorosa em 1984 até as conquistas nunca antes obtidas, Maradona foi mais do que um marco para um clube, e sim para toda uma região da Itália, sempre subjugada pelas mais ricas, relegada ao ostracismo até os dias de hoje. Proveniente do Barcelona, do qual não saiu de maneira amistosa, principalmente após a batalha campal contra o Atletico de Bilbao, Maradona se tornou ídolo maior com seu futebol altamente refinado.
Nessa produção italiana, de qualidade um tanto quanto duvidosa principalmente pela trilha sonora precária, o auge de um mito e de uma esquadra são expostos. Com trechos de partidas principais, e principalmente pela comoção generalizada pela iminente conquista do primeiro Scudetto, as imagens refletem um time em perfeita harmonia. No primeiro título conquistado, na temporada 1986-1987, o trio Ma-Gi-Ca (Maradona, Giordano e Carnevale) mostrou toda sua força. Vitórias em clássicos, a torcida em polvorosa, futebol envolvente. No mesmo ano, a Copa da Itália. Maradona comanda o meio da cancha, faz gols precisos de falta e de pênalti, mostrando todo seu vigor físico em arrancadas espetaculares e domínio de bola perfeito.
A temporada seguinte é ainda esplendorosa, mas o titulo escapa por entre os dedos. A paixão não diminui, e o time continua cada vez mais forte. A chegada de Careca, o craque brasileiro, se torna um diferencial, mesmo com a saída de alguns ídolos que bateram de frente com o técnico.
Em 1989, chega Alemão, outro jogador brasileiro. Nesse ano, algo maior ainda, o titulo da Copa UEFA, também pela primeira e única vez. Em seguida, o segundo Scudetto. As imagens, por mais que a edição seja um tanto quanto precária e repetitiva (o final do DVD parece um protetor de tela para desktop de computador com jogadas recortadas e desconexas), mostram o principal que é o time em ação, os lances. Com trechos de entrevistas dadas por Maradona, que em muito pouco parece com o fanfarrão dos dias de hoje – mesmo que com a habitual língua afiada-, mostra o quanto ele queria apenas a bola, e nada mais. Inclusive a soberba de ser ou não o maior jogador de todos os tempos não acontecia, não interessava, ele queria apenas jogar. Um jornalista afirma, em uma entrevista: “Os torcedores têm razão. Maradona é melhor do que Pelé.”. Diego responde: “Não. Maradona é Maradona. Pelé foi o maior, eu sou um jogador normal.”. Mas o que se via em campo, sem interessar qualquer comparação, era algo mágico e único.
A montagem ganha em apresentar principalmente a reação do povo, e omitir a decadência do astro e da equipe após o doping em 1991. Não interessa, o que é relevante são aqueles anos incomparáveis, que tardam em voltar, mas se espera que voltem.
Inesquecível é também a cafonisse divertida de Maradona e outros jogadores cantando uma música em homenagem ao Napoli. Algo que pelo menos eu nunca tinha visto antes. Um time histórico em uma fase mágica.
Melhor que Zico e Garrincha juntos, para esses braziloídes que só lembram de serem brasileiros em Copa do Mundo que se iludem dizendo que são muito superiores tendo apenas um título mundial a mais que todos e nunca terem ganhado uma Olímpiada.