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Archive for março \29\-03:00 2009

Bom, a estréia do Contos de cinema, um programa para o blog que eu venho trabalhando já tem um tempo, filmando conversas nossas aqui em casa. Em suma, tudo rola, essa edição é curta, no sentido de temas, porque foi um teste. Eu recomendo ver no vimeo, e não pelo embed, por que parece que o HD fica off. To acostumando ainda, a qualidade é legal, lógico que menos do que eu gostaria.

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Yes, 1969

yes
Não gosto de escrever sobre música, não tenho costume, não conheço os caminhos, é estranho. Desconfortável, pra quem tem costume de escrever sobre tantas coisas sem medo de escorregar… Porém, hoje, sábado, começo de tarde, a descoberta me faz ir contra isso. A descoberta desse disco aí, sensacional. Precisava dividir isso, e achei que o nosso blog era um espaço melhor que o cantinho do twitter e afins. Foda demais.

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Mostra Stan Brakhage

http://stanbrakhage.blogspot.com

Na CaixaCultural do Rio. Obra de Fernando Verissimo, o grande. Imperdível pros de lá.

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O Menino da Porteira tem um certo encanto. Talvez vindo do encantamento que o filme tem pelo que está sendo captado.

É muito interessante a construção de mundo feita aqui. Uma espécie de faroeste das figuras não heróicas; onde em primeiro plano estão os boiadeiros, as figuras pitorescas, o menino encantado pelo ofício com bois. Tudo sediado numa cidadezinha de poucas casas, tudo pertinho, fazendo daquele centrinho do vilarejo uma espécie de “palco”, um centro para o desenrolar de certas ações.

Toda essa representação parece sempre querer fugir do naturalismo. As coisas vão se sucedendo numa lógica própria, num tom próprio. Não exatamente criando um “novo” mundo, mas mais tangenciando algo que poderia ser chamado de realidade. Isso me parece muito evidente na caracterização do personagem principal. Ele é envolvido por uma aura mítica. A pouca fala, a postura, o encantamento do menino, o respeito de todos e, principalmente, a forma como ele é filmado, fazem dele uma figura meio indecifrável e, consequentemente, uma figura que desperta curiosidade.

O filme também consegue construir um paralelismo muito interessante entre o cotidiano de trabalho daquelas pessoas e a situação de tensão que vem se agravando. Ninguém procura, por simples ato de heroísmo, enfrentar o motivador da tensão e dos prejuízos (físicos, financeiros, morais), mas essa situação, cada vez mais estranguladora, vai se entranhando nesse cotidiano. Aos poucos fica impossível fugir dela; não há mais como estar neutro.

Claro que há problemas – toda a encenação da sequência de ação no final é fraca e existem algumas soluções fáceis e simplificadoras de narrativa -, mas o filme conseguiu me fazer esquecer deles durante toda a sua projeção.

Ao final impera uma tristeza irremediável. A morte do menino, a vingança realizada, são atos sem volta. E a atitude do boiadeiro de ir embora, deixando pra trás, sem olhar, o amor que estava começando, deixa isso latente.

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Só as primeiras impressões. O óbvio, no fim, a emoção que não dá. Chega a doer de tanto chorar, o desfoque da imagem que se torna lagrima. A primeira impressão apontou Honkytonk Man como uma espécie de irmão, a relação dos personagens, o ato de colocar no fim o futuro nas mãos de quem o carrega. Eastwood e sua relação com a religião e a justiça, o rompimento com a ditadura da familia, tão criticado por alguns no Menina de Ouro, aqui é colocado dentro do próprio Clint. O primor no mostrar só o que o filme necessita. Cada cena é o filme, cada detalhe de comportamento tem um fim na dramaturgia.  O José viu uma relação forte e que me parece bem interessante com Os Imperdoáveis, sobretudo no tato com a justiça. Não dá pra sumarizar nada, mas frisar é necessário sim: o grande filme, ponto.

Essa é para o Josa:

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PC Oliveira: "Chega de pelada"

PC Oliveira: "Chega de pelada"

“Não adianta ficar olhando pro relógio, porque se continuar assim nós vamos perder o jogo. Daí vocês ficam com essa cara de bunda me olhando. Chega de errar, né? Chega de pelada.”

Foi uma frase muito próxima dessa que PC Oliveira proferiu no último tempo técnico de Brasil 6 x 6 Argentina, realizado em São Bernardo do Campo ontem, dia 22 de março. O microfone e a câmera da Globo pegaram o exato momento e a reação dos jogadores, o que retratou bem o que foi o amistoso entre as duas forças sulamericanas.

Na Argentina se viu um time revigorado, com uma postura diferente da vista no Mundial, Panamericano e no último Grand Prix. Novos jogadores, um novo técnico, e tática de jogo altamente incisiva. Todos os gols (se não me falhe a memória) foram em contra-ataques primorosos, com a bola correndo de pé em pé com toques de primeira.

O Brasil se apresentou bem, com um plantel um tanto quanto envelhecido (PC utilizou os garotos com cautela), mas com as mesmas falhas de marcação. Tanto que PC frisava no último Mundial que o Brasil não era favorito de nada.

Talento inegável, porém em alguns casos supervalorizados. Tirando Lenísio, altamente regular e um tremendo jogador de futsal, os demais oscilam. Ari e Leco jogaram abaixo da média, e Falcão tem feito gols regularmente mas não é um jogador completo. Ainda habilidoso, plástico, mas peca pela regularidade e pelas falhas na defesa. Em futsal, gols nem sempre representam uma boa atuação, como no futebol de campo. Washington, Kleber Pereira e Alex Mineiro podem ser julgados por terem feito gols, Falcão não. Craque ele é, mas as vezes compromete.

Tirando isso, é sempre um prazer acompanhar uma boa partida de futsal. Infelizmente, ao contrário do futebol de campo, o uso excessivo de tática e posicionamento as vezes torna a partida enfadonha, com a bola rodando incessantemente entre os alas e o fixo. Mas as infiltradas de bola, domínio com os pés como se estivessem usando a mão e lances plásticos como a caneta que Guina (em excelente participação) deu em um marcador argentino já valem a partida como um todo.

Infinitamente melhor que a medíocre seleção de campo. Primeiro porque Dunga nunca teria peito de falar uma frase como a do PC, que têm seus defeitos, mas é sério e entende o que faz.
Ao contrário do anão favorito do Ricardo Teixeira.

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mannequin

Nos dias de hoje a sociedade é tomada pela busca do real, da verdade, do crível. Ou melhor, de um ideal imaginário do crível. Tomemos, por exemplo, Hollywood, mais especificamente os filmes de gênero, reduzamos a terror, ação e comédia.

Jogos Mortais, O Cavaleiro das Trevas e Pequena Miss Sunshine.

O cinema de terror até este novo século apostava na crença e no medo, desde o satanismo e criaturas das profundezas até assassinos seriais, que nos anos 70 tomou de assalto o inconsciente (ou consciente) coletivo da população. Com Jogos Mortais se instaura o “terror real”, onde não existe suspense e muito menos terror, há na verdade uma porção de torturas físicas, onde os próprios torturados se auto-mutilam e de forma torta se sentem merecedores disto. Parece na verdade suprir as tendências psicopatas de uma platéia de adolescentes, sem nenhuma preocupação estética, a não ser do açougueiro que monta esses filmes. Tudo nele apesar de absurdo tem uma engenhosa e falsa explicação, o que acalma o público que se sente ludibriado quando não vem essa explicação (por mais capenga que possa ser). Não existe espaço para crenças ou para o além, afinal isto é mentira.

Já o Cavaleiro das Trevas parte de um principio patético. E se o Batman existisse em um mundo real? Isto por si só é uma babaquice sem tamanho, o mais próximo que se poderia fazer de um filme real do Batman seria um onde bandidos e policiais cairiam todo tempo na gargalhada ao verem um lunático em roupa de morcego com um ultrapassado discurso de extrema-direita. Mas a embalagem séria e com poucas cores (vício do cinema verdade de hoje) acalma a platéia, que a partir daí consegue engolir qualquer abacaxi que lhe empurrem garganta abaixo.

E Pequena Miss Sunshine? Na sua busca em explodir os estereotipos ele os reafirma de maneira assustadora. Todos os personagens são condicionados aos seus papéis e vão morrer assim, tem que se conformar. E a família torta com seus personagens bizarros que lutam pelo ideal do sonho americano, que o filme faz graça em negá-lo a eles a todo instante, até que descobrem que os outros são “errados, feios e tortos”.  Inventam então seu próprio sonho onde o “outro” não tem lugar. Tudo com um pé no real e com dois no boçal.

Voltemos aos anos 80.

Com seria possível nos dias de hoje imaginar um filme como Manequim – A Magia do Amor? Não entremos no mérito de seus defeitos e qualidades, mas no absurdo que se instaura em cada cena. A principio temos uma jovem egípcia loira e atraente, que se nega a aceitar a condição que lhe é imposta, casar e servir a seu marido. Logo Deus a atende com a condição de viajar pelo tempo até que encontre seu verdadeiro amor em um tempo onde possa explorar suas potencialidades. De repente estamos na Filadélfia em 1987, onde um candidato a escultor trabalha em uma loja de departamentos a beira da falência. Um dia esta jovem egípcia encarna em um dos manequins feitos pelo pretenso escultor, e juntos viverão uma absurda história de amor e salvarão com suas belas vitrines a loja da falência.

Com exceção dos patéticos vilões do filme, todos aceitam sua relação amorosa com um manequim, já que somente ele a vê com vida. As seqüências musicais são estranhas e despropositadas, sem medo algum do cafona. Em todas as cenas do filme, inclusive as cotidianas, o absurdo aparece naturalmente e isto causa um incomodo constante. Mais estranho ainda pensar que um filme como este foi concebido para ser um sucesso de bilheteria. Dois anos antes Andrew McCarthy e James Spader tinham feito A Garota de Rosa-Shocking, um grande sucesso adolescente. E para Kim Cattrall era a chance de virar uma estrela. Na trilha sonora outro absurdo é a banda Starship, que fora outrora a respeitada Jefferson Airplane.

Por mais que o filme tenha defeitos (e são muitos), existe nele uma qualidade que escapa a todos os outros: a liberdade. Não está preso a camisa de força do real e do palatável. Permite-se a duas coisas que hoje nos são negadas, a ingenuidade e o sonho.

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John Salmons e Ben Gordon, astros

John Salmons e Ben Gordon, astros

Admito que talvez falar sobre o meu time de basquete seja falar só pra mim. Mas quero falar. Dessa vez, depois de muito sofrimento, é possível que cheguemos aos playoffs, depois de um ano fora. E isso ocorre no momento em que vejo o time melhor nos últimos dez anos. E mesmo assim, ainda temos uma estrela fora, que é o Luol Deng.

E para comprovar, ontem o Chicago Bulls surpreendeu numa vitória marcante o Boston Celtics. O time vem crescendo a partir do fim das trocas, a cerca de menos de mês. O GM trocou bem, enxugou o elenco, abriu mão de talentos que não funcionavam, Thabo Sefolosha por exemplo saiu por uma pick. Vimos o antigo contrato de Ben Wallace finalmente virar alguma coisa, no momento em que Drew Gooden, que veio para o time na troca de Wallace com o Cavaliers em 2008, virou John Salmons. O novo ala do time mudou a cara e o comportamento do Bulls, tornou o time mais ofensivo, deu a Ben Gordon um parceiro. Mesmo que custasse ao time seu mais querido jogador, aquele que fará qualquer torcida feliz, Andrés Nocioni. Trouxe ainda Brad Miller, que já foi um top da NBA, e que mesmo vindo do banco tem sido muito importante para o time, que sai jogando com dois jogadores muito jovens, Tyrus e Noah, nas posições mais altas. Derrick Rose faz uma boa primeira temporada, acho que foi excelente termos escolhido ele, Kirk se porta bem vindo do banco, e o time tem funcionado. Com a volta de Deng, teremos o Bulls mais bem montado em uma década. Ainda um time jovem, talvez não pronto para ir além da semi de conferência, mas me dá esperanças, sérias mesmo. Pois se o antigo baby bulls chegou lá duas temporadas atrás, por que não esse agora?

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Max e Fran: protagonistas numa esquizo-edição

Max e Fran: protagonistas numa esquizo-edição

As pessoas adoram dizer que os participantes erram. Na postura, na estratégia. Mas quem errou ferozmente nessa edição, foi a própria edição. Apostando no começo num caminho mais maduro, menos dramaturgicamente pesado, o BBB 9 não foi um mega sucesso, mas isso se deve mais a trama que se deu internamente, aos personagens interessantes não se conflitarem. Ana e Tom são ambos antipáticos, Naná era campeã de rejeição logo de cara. Os populares, o lado B, eram populares apenas pelo lado divertido de levar a coisa.

Exatamente o contrário do que se deu depois, sem vingar, a edição foi tentando minar e mudar. Assim, tentou apontar em Max e Flávio ferrenhos jogadores. Porém, o público, graças ao próprio editor,  já não via jogar desta forma, afinal Bial disse: o público premiou uma combinação de votos. E ainda assim, nunca houve uma combinação depois do começo. E claro, como sempre, um participante que ganha fãs, já não teme muito, não deve temer. O Max é o melhor exemplo disso, se assumiu jogador – péssimo, por sinal – errou algumas vezes, poderia ter se queimado, e no entanto nesse tempo todo ele continuou exatamente igual para o público.

E então a edição voltou ao que sempre fez: a história da perseguição, a menina inocente, bla bla bla. No entanto, a Ana não é carismática como o Alemão ou Dhomini, não possui vilões de fato, e mesmo que tentem, o lado B se teria desmoronado, como quer decretar o Pedro Bial nas incursões, foi solidamente construído. Logo, mesmo agora, é bobagem acreditar nisso, neles como maus. Não vai vingar. Assim, a história da Ana pode até dar o prêmio a ela, mas jamais colocará ela na história do BBB como alguém relevante.

Acho ainda a melhor edição do ponto de vista de maturidade a passada, pois o BBB 8 pode não ter tido o melhor elenco, mas foi de longe aquela em que houve um equilibrio. De todos, participantes e não participantes. A prova disso é o Marcelo, que tinha tudo para ser queimado, dentro da casa todos diziam que aguardavam a eliminação dele, inclusive o vencedor Rafinha, e no entanto ele teve capacidade de não ser aniquilado, essa palavra que a Ana gosta tanto. Fico aqui pensando o quanto melhor seria se Max tivesse ido contra a Nana, a quebra total de todas as crenças ocorreria, o jogo mudaria, a Ana veria o público como praticadores da injustiça?

Ainda acho essa edição acima da média. Se a trama e os personagens não viraram mitológicos, é muito porque se aproveita pouco das conversas. Falta um pouco mais de jogo de cintura e coragem da produção, nesta edição, em apostar no cotidiano. Do ponto de vista de invenções, muitas parecem ruins, mas foram ótimas. A divisão na casa foi ótima, criou dramaturgia e jogo, a inserção de novos participantes idem, o quarto branco foi bom mas deveria ter sido melhor, já que a presença do Léo deu ao quarto um momento histórico, mas enfraqueceu o tamanho do que viria. E as porcentagens, nunca informadas, deixam perdidos aqueles que se movem por elas. Vale acompanhar até o fim.

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Filme incrível.

Uma obra repleta de contradições, incoerências… uma obra que parece não “respeitar” seu personagem, pois a relação ali vai muito além disso. É muito mais próxima, mais entregue. Pan-cinema é um filme de eterna busca, eterna aproximação. Ele opta pelo exagero, pelo desconexo. É realmente muito bom ver um documentário (ou um filme de qualquer que seja o gênero) que opta pelo caminho mais tortuoso, por vezes mais questionável.

O inicío já nos catapulta pro caos estético que está por vir. A loja de eletrodomésticos, as diversas TVs no mesmo canal e uma que muda para aquela entrevista surreal. Waly Salomão, performático, sendo entrevistado numa emissora da Síria. Diveras línguas faladas ao mesmo tempo, um entrevistado que consegue quando quer tomar para si o controle da situação. Performance!

E foi realmente muito bacana ver o Carlos Nader falando (na abertura desse evento de documentário que tá rolando na reserva cultural). Ele fala claramente sobre suas intenções, suas idéias, inquietações. O cara sabe exatamente que caminho está trilhando e o porquê. E ele vai dirigir Soberano, filme sobre o hexa do São Paulo. Fodasso!

Também tava no debate a Carla Gallo, diretora do O Aborto dos Outros. Bom, não vi o filme dela, mas seu discurso foi bastante desinteressante. Ficou muito naquela coisa da realidade. Mesmo sempre afirmando não acreditar na realidade absoluta, ela falou em realidade sem a câmera estar ali. Mais subjetivo impossível; chega a nem fazer sentido. E também ela mandou uma sobre acreditar que a realidade é melhor que a imaginação dela, por isso dela fazer documentários; e disse acreditar que quem faz ficção possivelmente acredita que sua imaginação é mais bacana que a realidade. Ahn? Isso eu achei realmente bizarro. Afinal, a imaginação não é realidade enquanto imaginação? Nós não compartilhamos o mundo com essas imaginações? Ou será real apenas o palpável? E o documentário é alguma realidade além da realidade enquanto imagem? Bom, acho que não existem respostas definitivas pra essas questões. Mas acho que são questões relevantes e esse discursinho de realidade, imaginação (não há isso num documentário?), mais legal e menos legal é reducionista pra cacete.

Bom, Pan-cinema. Filme a se ver. Experiência foda pra caralho. E Carlos Nader aparece pra mim (nunca havia visto nada dele) como uma figura a ser seguida.

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Chantal 3

Sobre Jeanne Dielman (visto na mostra Chantal Akerman que tá rolando no ccbb), só tenho uma coisa a dizer: o amor existe; e, ao mesmo tempo, não existe. Contradição insolúvel fotografada com precisão-mestra.

Na verdade, há mais coisas a se dizer sobre o filme: a vida fotografada e posta em movimento. Um movimento que luta contra a imobilidade e a morte em vida. Um movimento que tenta por ordem na precariedade das coisas.

Lavar os sapatos do filho, fazer comida, organizar os talheres. Nesse filme vemos como essas ações humanas são estranhas e espantosas. Pra quem vê Jeanne Dielman, atingir esse estado de olho-consciência já é o bastante. Lembrar de nossas mães realizando as mesmas tarefas. Ou, a partir de agora, aumentar nossa sensibilidade para a bizarrice dessas tarefas cotidianas encoberta pela nossa falta de atenção. Amplia a consciência, e acho que isso é o poder transformador de um filme: mudar/ampliar/alterar a mente de quem o assiste, menos pelo efeito no intelecto do que pela experiência de uma estranha emoção.

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Rooney e Ronaldo, Fletcher e Giggs: astros e companheiros do mais bem sucedido time do mundo, hoje.

Rooney e Ronaldo, Fletcher e Giggs: astros e companheiros do mais bem sucedido time do mundo, hoje.

O que explicaria o sucesso deste que é, sem dúvida, o time mais bem sucedido de hoje…? É fácil apontar a continuidade de um trabalho, Alex Ferguson completando 20 anos de serviço. Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, todos chegando ao auge, e sendo eles dois dos cinco maiores jogadores do mundo, na minha opinião, é claro que o caminho fica aberto. Mas é claro que eles só o são, porque o time lhes permite. Ninguém dúvida que tantos outros que sabemos há muito serem grandes jogadores, como Ibrahimovic, Messi, Xavi, Robben, Lampard ou Gerrard, se encontrassem no lugar certo pudessem ser apontados os melhores do mundo. Messi, afinal, é forte candidato mesmo num Barcelona que oscila, entre o brilho e o farsante, jogo a jogo.

Mas pois bem: o Manchester é um time careta. Nos moldes europeus, mas careta. Duas linhas de quatro, defensiva ou ofensivamente. O rodizio é fruto de uma administração boa do elenco, muitos jogadores contratados para posições úteis, um time onde todo mundo chega e joga bem. Porque será que Anderson, Rafael, Tevez, Park, todo mundo não precisa de período de adaptação? Os que chegam agora e os que já chegaram faz anos sempre se encaixam. Quem tem talento para várias posições, como Anderson, vira coringa, outros aprendem novas posições, como Wes Brown na ocasião das lesões de Gary Neville.

O fascinante no Manchester, além do fato que mesmo quando mal em campo seus jogadores conseguem fazer do jogo dinâmico, atraente, e principalmente efetivo, é que ele não quebra com nada. Não possui vários atacantes como os times de José Mourinho, nem possui a atual moda do futebol, a linha de três meias com um centro-avante solitário. Nada da loucura a Arsene Wenger, com todos em constante troca de lugar, pulmão bombando, Fabregas no comando, manejando e remanejando o jogo do Arsenal. São 4-4-2, nos moldes ingleses. Laterais-laterais, Evra apoia mais, é claro, mas é lateral, sempre. Carrick, Scholes, Fletcher, todos meias pelo centro, raramente saem para o lado. Cristiano, Giggs, Nani, Park, os meias preferidos para avançarem pelos lados. Liberdade mesmo, de verdade, possuem Cris e Rooney, que realmente se movimentam em campo trocando de posição, Rooney às vezes se tornando um último meia, mais livre. Rooney já assumiu essa função na seleção também, em partida de extremo sucesso.

Se é obvio, porque não é parado? A verdade é que o Manchester não surpreende os adversários. Sempre sabemos como estará, no máximo uma surpresa ou outra, os jogadores, o Cristiano muda de lado, vai pro ataque. Mas os jogadores tem algo, o toque rápido, a confiança, acima de tudo, de que tem o futebol moderno sobre o seu controle. A Inter de Mourinho jogou bem, por exemplo, criou, buscou, mas um time lento, que começou escalado com veteranos, não tem chance com o dinâmico, objetivo. Se esse estiver escalado com tantos jogadores bons. O Manchester, nesse sentido, é o maior caso de um time tão bom, que pertuba, e no entanto ao contrário do Barcelona de outrora, parece menos provável que viva uma queda tão rápida.

Obs.: Ferguson pode administrar muito bem seu elenco, mas há muito que Berbatov é evidentemente inferior ao Tevez quando joga, e já devia ter sido sacado do time que começa as partidas.

O elenco (que realmente joga):

Van Der Sar / Foster
Brown / O’Shea / Rafael / Neville
Ferdinand / O’Shea
Vidic / Evans
Evra / O’Shea
Carrick / Hargreaves / Fletcher
Scholes / Anderson / Fletcher
Cristiano Ronaldo / Nani
Giggs / Park
Rooney / Tevez
Berbatov / Tevez

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Showgirls

15538a

O que definiria melhor Paul Verhoeven? O cafona, o brilhante, a superfície, a grosseria, o fisíco, o indescrítivel. Se me parece fácil demais apontar o mais mal falado de seus filmes como o mais incrível, não seria – tenho certeza – um absurdo aponta-lo como aquele que seria o mais definitivo de seus filmes. Showgirls é Paul Verhoeven, as peles, o desejo pelo torto, as loucuras, os desacertos, o excesso de pessoas em cena, a imagem que parece quase borrachuda – seja lá o significado disso.

A dramaturgia do superficial, a grosseria como ponto de vista politico.

Ainda mais surreal visto em cinemascope num canal que exibe filmes dublados, recheados de intervalos toscos e mal cortados.

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E o porquê fidelidade deveria ser a última preocupação ao adaptar a obra para o cinema.

Ozymandias: o figurante de luxo

Ozymandias: o figurante de luxo

Quando fui assistir ao filme de Zack Snyder na semana passada – tendo relido as revistas uma semana antes – o que menos julgava primordial era fidelidade ao material original, levando em conta o quanto a série funciona apenas como quadrinhos. Watchmen é uma HQ lenta, complexa, asfixiante que funciona tão bem justamente por esse envolvimento emocional e intelectual progressivo, não visível. O que seria da série sem os anexos ao final de cada edição como a biografia de Hollis Mason, o artigo sobre o Dr. Manhattan e a correspondência de Adrian Veidt? Metade da trama se esvai. O que dizer então dos Contos do Cargueiro Negro? A obra de Moore e Gibbons estende uma HQ tradicional e sua força parte daí, do volume e da intensidade dos dados envolvidos.

Funciona como filme? Pelo menos com a obra de Snyder a resposta é não. Sua opção foi pela fidelidade, por dar a vida ao que ele admira, mas a escolha foi um tiro no pé. Interessa se “Sobre Meninos e Lobos” é fiel ao livro de Dennis Lehane? Não, interessa que é um puta fillme. Agora Snyder se perde ao querer transpor os quadrinhos simplesmente por querer vê-los criar vida. Só que nesse exercício de filmar com a HQ embaixo do braço, muito da trama se perdeu nessa transposição, e isso era o mínimo que deveríamos esperar de um filme com tal proposta.

Dr. Manhattan é um paralelo com o Super-Homem. Moore brinca com a seguinte pergunta: “Por que o Super-Homem se importaria tanto com os humanos? De onde vem essa necessidade de ser aceito?” E a resposta é que não existe motivo, logo Manhattan se distancia progressivamente ao perder sua namorada Laurie. Ele não diferencia um humano de um pombo, e isso associado ao plano de Ozymandias o faz lavar suas mãos na HQ, indo rumo à Marte e quem sabe “criar seus próprios humanos”. Snyder quebra todo o lirismo dessa queda do mito do herói americano ao lhe atribuir a culpa do ataque a ele, e não aos alienígenas como na obra original. Ele foge porque é obrigado, não porque não lhe interessa, ele faz um sacrifício pelos humanos, como também o Batman de Nolan faz no Cavaleiro das Trevas: ele assume a culpa da morte de Harvey Dent porque esse é seu fardo. Um engodo intragável e babaca.

Mas o principal ponto que foge da fidelidade é Ozymandias. Desenvolvido primorosamente em segundo plano na HQ, passando despercebido como cidadão modelo até revelar seu plano, Ozymandias é a catarse da trama. Já no filme de Snyder, ele é um personagem secundário com um plano injustificável. Matar milhões para salvar bilhões? Por que um figurante faria isso? Porque é isso que ele representa no filme de Snyder.

Ozymandias é tão importante que faz até um paralelo com a própria personalidade de Moore na vida real. Quem mais poderia enxergar os segredos do mundo após comer uma bola de haxixe?

No filme, ele é um bufão que simplesmente resolve explodir a cidade. Sem a caracterização ególatra do dono da maior inteligência do mundo e sua descrença na capacidade dos seres humanos em aprender, seu ato se torna um simulacro de terrorismo fundamentalista.

Apenas Rorschach foi bem caracterizado, também o motivo é fácil de se encontrar, é o personagem mais fácil de gerar empatia no público de adaptações de HQs por representar um anti-herói nos moldes do Wolverine. Agora Manhattan com seu pênis imenso e desnecessário é descaracterizado em seu clímax, e Ozymandias é apenas um boçal reaproveitando o figurino usado no Batman Eternamente de Joel Schumacher.

Não comentarei a frase “Eu o perdoei porque ele me deu você”, frase proferida pela mãe de Laurie ao lhe contar que seu pai é o Comediante. Não entraria na cabeça do público uma mulher se apaixonar pelo homem que a tentou estuprar, melhor transformar tudo em um dramalhão de quinta.

Snyder tenta ser fiel, mas apenas dá vida à parte que lhe convém ou que ele julga interessante, e por ai só se perde toda a fidelidade. Tenta criar um filme que agrade aos fãs de filmes do Homem-Aranha e X-Men usando como base uma HQ revolucionária e de difícil entendimento, nem se preocupando em digerir a essência, apenas criando planos bonitos. É um filme fiel a nada, sem público e sem propósito de existir. 4 horas de filme resolveriam? Talvez Snyder usasse o tempo restante para coreografar melhor ainda suas lutas em câmera lenta. Tivesse Watchmen ficado eternamente como “apenas” uma excelente história em quadrinhos.

PS: O ponto positivo é ver o anão Danny Woodburn como O Figura. Inesquecível como Mickey no seriado Seinfeld, não me contive em imaginar Rorschach trombando com Kramer saindo do banheiro com seu jeito abobalhado.

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Chantal 2

Toda Uma Noite é um filme incrível.

Ele possui uma narrativa de força e vivacidade espetaculares, mas sem contar uma história. Há ali fragmentos, de histórias, personagens, sentimentos, que formam uma unidade extremamente coesa. Não é um simples painel de possibilidades. Existe inquietação, posicionamento.

Os enquadramentos são de um rigor admirável. Tudo que está em quadro é extremamente valorizado. Cada plano parece capaz de existir por si só; e essa capacidade torna extremamente necessário o plano que vem a seguir. Sozinhos, os planos seriam belos, mas sozinhos. Precedidos e seguidos por outros, tornam-se detentores de uma beleza impossível de existir na solidão de cada um.

Os Anos 80 e Golden Eighties são filmes que merecem muito serem vistos em sequência. Foi absolutamente preciso, pela curadoria, colocá-los dessa forma. Os Anos 80 é um filme de estrutura bizarríssima. Boa parte é absolutamente caótica, com diversos atores repetindo várias vezes os mesmo textos sem nenhuma lógica narrativa aparente. A textura é de um vídeo com pouquíssima definição (a cópia final do filme é em 35mm), chegando a parecer uma câmera filmando uma TV. Esse caos é muito interessante. As figuras que ali estão representando/declamando textos ganham muita força. Suas posturas, formas de ler e interpretar, movimentação, tornam-se objeto principal. Os personagens, com suas texturas de um vídeo tosco, são o foco principal; pessoas e a imagem dividem espaço, se completam, formam um só emaranhado.

De repente um corte. A imagem fica limpíssima, com cores fortes, fotografia e cenários perfeitos. Parte dos textos antes lidos ganham representações objetivas, exatas. Um material completamente bem acabado toma conta do filme. Somos levados por ele. O corte é chocante. Uma mudança extremamente drástica como que anunciando o filme que está por vir, deixando claro que uma coisa é tão Akerman quanto a outra, especialmente nessa co-existência. “Até o ano que vem”, diz Akerman. Até! Com muita ansiedade.

Golden Eighties é o musical, composto por textos e cenas que vimos no filme anterior. Porém, as cenas “acabadas” não estão aqui. Quer dizer, estão. Mas com outros cenários, outros atores, outra estrutura. O que estava em Os Anos 80 nele ficou. Em Golden Eighties temos uma estrutura clara, narrativa. Porém, a história em si não parece muito importante para Akerman. O filme anterior foi lançado antes e nele havia cenas e diálogos cruciais a esse filme. A surpresa, o mistério do desenrolar dos acontecimentos já havia sido revelado há muito. Há aqui belíssimos planos-sequência (acho que Akerman já não lida, aqui, tão bem com cortes que levem a um fragmento do plano anterior), com uma profusão de acontecimentos e intervenções muito bem orquestradas, mas a grande força de Golden Eighties está na sua relação com Os Anos 80.

Eles dois passam no sábado, no CCBB de São Paulo. Programação.

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Mavericks at Suns

Nowitzki enterra. Barnes e Shaq olham.

Nowitzki enterra. Barnes e Shaq olham.

Rápidos comentários sobre Dallas Mavericks x Phoenix Suns:

Nowitzki foi monstruoso. Depois de um primeiro tempo irregular – com algumas jogadas fodas, mas também muitos erros -, ele fez um segundo tempo praticamente perfeito. A sua jogada de costas pra cesta, girando e arremessando, funcionou muito. Tendo momentos de cesta mais falta (Dirk acabou a partida com 34 pontos, 13 rebotes, 4 assistências, 1 roubada e 2 tocos).
Já o Suns não tem essa figura de chamar o jogo pra si e mudar tudo (e sinceramente acho que o Stoudemire não segura essa onda). Hoje só o Nash (23 pts e 12 assists) conseguiu segurar todas as vezes que chamou a responsabilidade. Richardson (16 pts, 7 rebotes e 2 assists) e Leandrinho (18 pts, 2 rebotes, 3 assists e 2 roubadas) fizeram isso por um momento (e colocando o Suns à frente no placar), mas antes e depois foram irregulares.
Shaq (21 pts e 8 rebotes) jogou bem.
Suns foi um fiasco na defesa, principalmente nos rebotes (sempre do Mavericks) e na marcação na linha dos 3 pontos (em muitos momentos cruciais tinha um jogador adversário livre para arremessar).
Acho que hoje o Suns deu adeus aos playoffs. Está perdendo demais; e agora foi pro seu adversário direto na classificação.

Não vi Cavaliers x Clippers, mas imagino que o último quarto do Cavs deve ter sido sensacional. O terceiro quarto acabou com 69-52 para o Clippers e o jogo terminou 87-83 para o Cavs. Ou seja, rolou um 35-14 no último quarto.
Lebron fez um triple-double com 32 pts, 13 rebotes, 11 assists e ainda 2 roubadas e 2 tocos.
Varejão parece ter feito uma boa partida, com 8 pts, 10 rebotes, 1 roubada e 1 toco. Quase um double-double.

Ontem o Wade destruiu na vitória do Heat sobre o Bulls, 130-127, na prorrogação.
Foram 48 ptos, 6 rebotes, 12 assists, 4 roubadas e 3 tocos. Ele acertou 15 dos 21 arremessos, sendo que 5 em 6 de 3 pontos.

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Fã nos proporciona a visão de como Liefeld enxerga o corpo de Steve Rogers

Fã nos proporciona a visão de como Liefeld enxerga o corpo de Steve Rogers

 

Pressionados por argumentistas, por estúdios, massificação de estilo e Joe’s Quesadas da vida que se vislumbram arautos do saber: essa é a vida dos desenhistas de quadrinhos. Claro, existem os trabalhos autorais, projetos independentes, mas qual artista renegaria trabalhar com a revista mensal do Batman? Ou alguma mini-série da Marvel? O preço pago é o cabresto do mainstream.
Com essa liberdade um tanto quanto limitada, o que faz de uma página de quadrinhos uma obra de arte? Porque quadrinhos é uma arte sim, não se engane. Seria boa perspectiva? Musculatura verossímil? Planos de fuga bem aplicados? Narrativa visual? Com certeza a combinação de todos esses. Mas uma série de regras podem digerir uma arte? Dizer se ela é boa ou não? Uma tanto quanto não-artística essa abordagem. E a espontaneidade?
Por que não renegar todas essas diretrizes tão limitadoras? Revolucionar esquecendo tudo que aprendemos inclusive de olharmos uns aos outros? Parece uma tarefa simples, mas como Latino nos mostrou com sua epopéia “Festa no Apê”, só um gênio para encontrar a genialidade no fluxo contrário. Aí que entra Rob Liefeld.
Arte espontânea, humana, imperfeita, imprevisível na sua previsibilidade, polêmica. Mas limitada à imagem? Liefeld faz uma critica ferrenha ao seu povo, os americanos, e ao ser humano porque não, nos retratando com rostos padronizados e poses não espontâneas, como se estivéssemos sempre nos portando esperando que o próximo nos note. Corpos disformes sugerindo um surto coletivo de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (os vemos como eles se enxergam, pernas imensas e cabeças pequenas),  cenários vazios como se não reparássemos no ambiente em que vivemos, e por aí vai.
Um mito. Picareta, caloteiro, projeto de artista. Criador de personagens plagiados, mas como não se repetir nas fórmulas de mais de 50 anos de vida? Liefeld brinca com isso, criando descaradamente mais do mesmo.
Artista ou farsa, impossível ficar indiferente a esse homem. Com o mercado de quadrinhos de super-heróis tão tedioso quanto nos dias de hoje, pessoas como ele indiscutivelmente fazem falta, mesmo que para ter alguém a quem criticar.

The 40 Worst Rob Liefeld Drawings

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Watchmen

Bom, disse o Renan que escreveria aqui sobre o filme; ainda na expectativa…

Achei sinceramente decepcionante.

É verdade que há momentos bem bacanas. Mas são, em grande parte, pequenos momentos, planos, fragmentos de uma cena. Cada sequência parece uma tentativa incansável de construir “belos momentos”, planos inventivos, sacadas memoráveis. E, é claro, em meio a inúmeras tentativas, com pessoas minimamente competentes, por vezes o objetivo é alcançado.

Mas sinto muita falta de uma objetividade. Não uma objetividade enclausurante, mas aquela coisa de saber o que se está fazendo. Saber o porquê de se colocar a câmera em certo lugar ou o porquê de tal corte. Um certo teor de Clint Eastwood ou James Gray.

E a coisa toda dos artifícios, muito também pelo que falei acima, acaba tornando o filme refém. As diversas peripécias visuais se tornam um dispositivo fácil. A cada sequência de ação já sabemos e esperamos certos efeitos.

São problemas que não impedem o filme de ser divertido, mas que dão saudades do Zack Snyder de Madrugada dos Mortos.

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Chantal

As janelas introspectivas de Chantal Akerman.

Là-bas é uma beleza!

Eu fiquei realmente impressionado com a forma como a relação janela/olhar/externo e introspecção é construída. O filme todo é basicamente estruturado com imagens feitas a partir de uma janela de um apartamento, com uma câmera que observa ações externas, realizadas por desconhecidos, figuras que se tornam personagens anônimos ao filme. Na banda sonora, confissões, telefonemas…

Imagem e som, a princípio, parecem desconectados; mas a coisa é totalmente ao contrário. Os dois começam a se confundir. As imagens observacionais se tornam uma espécie de subjetiva da personagem autora.  Esse é o seu modo de expressão, seu modo de “ver” as coisas; tão sincero e pessoal como cada palavra que é dita. Essa observação canaliza tudo o que está acontecendo.

O uso da janela e da cortina são impressionantes (em certo momento, as janelas de Akerman me lembraram o espelho de Duras), rendendo belíssimos planos (não só em construção imagética, mas muito mais numa força de significado), mas o que mais me impressionou, sem dúvida, foi a coesão – nada óbvia – de imagem e som. A construção de uma unidade a partir do aparentemente oposto. Bonito pra caralho!

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