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Archive for março \29\UTC 2009

Bom, a estréia do Contos de cinema, um programa para o blog que eu venho trabalhando já tem um tempo, filmando conversas nossas aqui em casa. Em suma, tudo rola, essa edição é curta, no sentido de temas, porque foi um teste. Eu recomendo ver no vimeo, e não pelo embed, por que parece que o HD fica off. To acostumando ainda, a qualidade é legal, lógico que menos do que eu gostaria.

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Yes, 1969

yes
Não gosto de escrever sobre música, não tenho costume, não conheço os caminhos, é estranho. Desconfortável, pra quem tem costume de escrever sobre tantas coisas sem medo de escorregar… Porém, hoje, sábado, começo de tarde, a descoberta me faz ir contra isso. A descoberta desse disco aí, sensacional. Precisava dividir isso, e achei que o nosso blog era um espaço melhor que o cantinho do twitter e afins. Foda demais.

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Mostra Stan Brakhage

http://stanbrakhage.blogspot.com

Na CaixaCultural do Rio. Obra de Fernando Verissimo, o grande. Imperdível pros de lá.

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O Menino da Porteira tem um certo encanto. Talvez vindo do encantamento que o filme tem pelo que está sendo captado.

É muito interessante a construção de mundo feita aqui. Uma espécie de faroeste das figuras não heróicas; onde em primeiro plano estão os boiadeiros, as figuras pitorescas, o menino encantado pelo ofício com bois. Tudo sediado numa cidadezinha de poucas casas, tudo pertinho, fazendo daquele centrinho do vilarejo uma espécie de “palco”, um centro para o desenrolar de certas ações.

Toda essa representação parece sempre querer fugir do naturalismo. As coisas vão se sucedendo numa lógica própria, num tom próprio. Não exatamente criando um “novo” mundo, mas mais tangenciando algo que poderia ser chamado de realidade. Isso me parece muito evidente na caracterização do personagem principal. Ele é envolvido por uma aura mítica. A pouca fala, a postura, o encantamento do menino, o respeito de todos e, principalmente, a forma como ele é filmado, fazem dele uma figura meio indecifrável e, consequentemente, uma figura que desperta curiosidade.

O filme também consegue construir um paralelismo muito interessante entre o cotidiano de trabalho daquelas pessoas e a situação de tensão que vem se agravando. Ninguém procura, por simples ato de heroísmo, enfrentar o motivador da tensão e dos prejuízos (físicos, financeiros, morais), mas essa situação, cada vez mais estranguladora, vai se entranhando nesse cotidiano. Aos poucos fica impossível fugir dela; não há mais como estar neutro.

Claro que há problemas – toda a encenação da sequência de ação no final é fraca e existem algumas soluções fáceis e simplificadoras de narrativa -, mas o filme conseguiu me fazer esquecer deles durante toda a sua projeção.

Ao final impera uma tristeza irremediável. A morte do menino, a vingança realizada, são atos sem volta. E a atitude do boiadeiro de ir embora, deixando pra trás, sem olhar, o amor que estava começando, deixa isso latente.

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Só as primeiras impressões. O óbvio, no fim, a emoção que não dá. Chega a doer de tanto chorar, o desfoque da imagem que se torna lagrima. A primeira impressão apontou Honkytonk Man como uma espécie de irmão, a relação dos personagens, o ato de colocar no fim o futuro nas mãos de quem o carrega. Eastwood e sua relação com a religião e a justiça, o rompimento com a ditadura da familia, tão criticado por alguns no Menina de Ouro, aqui é colocado dentro do próprio Clint. O primor no mostrar só o que o filme necessita. Cada cena é o filme, cada detalhe de comportamento tem um fim na dramaturgia.  O José viu uma relação forte e que me parece bem interessante com Os Imperdoáveis, sobretudo no tato com a justiça. Não dá pra sumarizar nada, mas frisar é necessário sim: o grande filme, ponto.

Essa é para o Josa:

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PC Oliveira: "Chega de pelada"

PC Oliveira: "Chega de pelada"

“Não adianta ficar olhando pro relógio, porque se continuar assim nós vamos perder o jogo. Daí vocês ficam com essa cara de bunda me olhando. Chega de errar, né? Chega de pelada.”

Foi uma frase muito próxima dessa que PC Oliveira proferiu no último tempo técnico de Brasil 6 x 6 Argentina, realizado em São Bernardo do Campo ontem, dia 22 de março. O microfone e a câmera da Globo pegaram o exato momento e a reação dos jogadores, o que retratou bem o que foi o amistoso entre as duas forças sulamericanas.

Na Argentina se viu um time revigorado, com uma postura diferente da vista no Mundial, Panamericano e no último Grand Prix. Novos jogadores, um novo técnico, e tática de jogo altamente incisiva. Todos os gols (se não me falhe a memória) foram em contra-ataques primorosos, com a bola correndo de pé em pé com toques de primeira.

O Brasil se apresentou bem, com um plantel um tanto quanto envelhecido (PC utilizou os garotos com cautela), mas com as mesmas falhas de marcação. Tanto que PC frisava no último Mundial que o Brasil não era favorito de nada.

Talento inegável, porém em alguns casos supervalorizados. Tirando Lenísio, altamente regular e um tremendo jogador de futsal, os demais oscilam. Ari e Leco jogaram abaixo da média, e Falcão tem feito gols regularmente mas não é um jogador completo. Ainda habilidoso, plástico, mas peca pela regularidade e pelas falhas na defesa. Em futsal, gols nem sempre representam uma boa atuação, como no futebol de campo. Washington, Kleber Pereira e Alex Mineiro podem ser julgados por terem feito gols, Falcão não. Craque ele é, mas as vezes compromete.

Tirando isso, é sempre um prazer acompanhar uma boa partida de futsal. Infelizmente, ao contrário do futebol de campo, o uso excessivo de tática e posicionamento as vezes torna a partida enfadonha, com a bola rodando incessantemente entre os alas e o fixo. Mas as infiltradas de bola, domínio com os pés como se estivessem usando a mão e lances plásticos como a caneta que Guina (em excelente participação) deu em um marcador argentino já valem a partida como um todo.

Infinitamente melhor que a medíocre seleção de campo. Primeiro porque Dunga nunca teria peito de falar uma frase como a do PC, que têm seus defeitos, mas é sério e entende o que faz.
Ao contrário do anão favorito do Ricardo Teixeira.

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mannequin

Nos dias de hoje a sociedade é tomada pela busca do real, da verdade, do crível. Ou melhor, de um ideal imaginário do crível. Tomemos, por exemplo, Hollywood, mais especificamente os filmes de gênero, reduzamos a terror, ação e comédia.

Jogos Mortais, O Cavaleiro das Trevas e Pequena Miss Sunshine.

O cinema de terror até este novo século apostava na crença e no medo, desde o satanismo e criaturas das profundezas até assassinos seriais, que nos anos 70 tomou de assalto o inconsciente (ou consciente) coletivo da população. Com Jogos Mortais se instaura o “terror real”, onde não existe suspense e muito menos terror, há na verdade uma porção de torturas físicas, onde os próprios torturados se auto-mutilam e de forma torta se sentem merecedores disto. Parece na verdade suprir as tendências psicopatas de uma platéia de adolescentes, sem nenhuma preocupação estética, a não ser do açougueiro que monta esses filmes. Tudo nele apesar de absurdo tem uma engenhosa e falsa explicação, o que acalma o público que se sente ludibriado quando não vem essa explicação (por mais capenga que possa ser). Não existe espaço para crenças ou para o além, afinal isto é mentira.

Já o Cavaleiro das Trevas parte de um principio patético. E se o Batman existisse em um mundo real? Isto por si só é uma babaquice sem tamanho, o mais próximo que se poderia fazer de um filme real do Batman seria um onde bandidos e policiais cairiam todo tempo na gargalhada ao verem um lunático em roupa de morcego com um ultrapassado discurso de extrema-direita. Mas a embalagem séria e com poucas cores (vício do cinema verdade de hoje) acalma a platéia, que a partir daí consegue engolir qualquer abacaxi que lhe empurrem garganta abaixo.

E Pequena Miss Sunshine? Na sua busca em explodir os estereotipos ele os reafirma de maneira assustadora. Todos os personagens são condicionados aos seus papéis e vão morrer assim, tem que se conformar. E a família torta com seus personagens bizarros que lutam pelo ideal do sonho americano, que o filme faz graça em negá-lo a eles a todo instante, até que descobrem que os outros são “errados, feios e tortos”.  Inventam então seu próprio sonho onde o “outro” não tem lugar. Tudo com um pé no real e com dois no boçal.

Voltemos aos anos 80.

Com seria possível nos dias de hoje imaginar um filme como Manequim – A Magia do Amor? Não entremos no mérito de seus defeitos e qualidades, mas no absurdo que se instaura em cada cena. A principio temos uma jovem egípcia loira e atraente, que se nega a aceitar a condição que lhe é imposta, casar e servir a seu marido. Logo Deus a atende com a condição de viajar pelo tempo até que encontre seu verdadeiro amor em um tempo onde possa explorar suas potencialidades. De repente estamos na Filadélfia em 1987, onde um candidato a escultor trabalha em uma loja de departamentos a beira da falência. Um dia esta jovem egípcia encarna em um dos manequins feitos pelo pretenso escultor, e juntos viverão uma absurda história de amor e salvarão com suas belas vitrines a loja da falência.

Com exceção dos patéticos vilões do filme, todos aceitam sua relação amorosa com um manequim, já que somente ele a vê com vida. As seqüências musicais são estranhas e despropositadas, sem medo algum do cafona. Em todas as cenas do filme, inclusive as cotidianas, o absurdo aparece naturalmente e isto causa um incomodo constante. Mais estranho ainda pensar que um filme como este foi concebido para ser um sucesso de bilheteria. Dois anos antes Andrew McCarthy e James Spader tinham feito A Garota de Rosa-Shocking, um grande sucesso adolescente. E para Kim Cattrall era a chance de virar uma estrela. Na trilha sonora outro absurdo é a banda Starship, que fora outrora a respeitada Jefferson Airplane.

Por mais que o filme tenha defeitos (e são muitos), existe nele uma qualidade que escapa a todos os outros: a liberdade. Não está preso a camisa de força do real e do palatável. Permite-se a duas coisas que hoje nos são negadas, a ingenuidade e o sonho.

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