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Archive for abril \28\UTC 2009

Para ouvir o trote telefônico (possui linguagem subversiva e de baixo calão)

Para ler a transcrição da conversa e dados sobre o falecimento do ilustre advogado

 

Cria-se a comédia, se espera uma reação. Um jogo de buscar o inusitado, a troça naquele que ouve ou vê. Nessa alocação de pessoas, do ativo e do passivo, àquele a quem o humor se direciona – mesmo que exista uma alternância de quem recebe a piada – geralmente acontece um jogo de cartas marcadas. Um prega a peça, o outro reage. Mas e quando o passivo, o motivo da chacota, reage de maneira tão inusitada e intensa que até uma trupe de zombadores de plantão se perde em um mar de piadas possíveis? Nesse caso, lidamos com o “escada” definitivo. E mesmo em uma encenação atípica, diferenciada como um trote telefônico, as palavras e reações do nobre Luiz Pareto reverberam até hoje.

Confesso que nunca fui adepto desse tipo de chinfra, pela banalização do mesmo. Sempre se ataca uma minoria, uma pessoa humilde e sem estudos, um idoso, sempre uma babaquice do gênero. Mas nesse caso específico, é um advogado, ou “adêvogado” como ficou eternizado. Letrado, que se orgulha do título, se sente distinto. Provavelmente chamava o cunhado de “doutor” e dizia que faltou em um churrasco por “circunstâncias alheias ao agente”. Um engodo ambulante.

Fora isso, a mise-en-scène inesperada. Cai uma ligação teoricamente em uma mesa de operações – não se sabe ao certo, mas é isso o especulado – e o grupo de escárnio, com um timing impressionante, incorpora o setor de atendimento da extinta Telerj. A ambientação é ferrenha. “A última taxa referencial do sistema”, “A rigor seria isso” e outras pérolas nos situam na loucura que moverá a conversação.

 Luiz inicia sua reclamação com um arsenal de frases engraçadas e estranhas ao mesmo tempo, enquanto o ouvinte, que se caracterizaria como o maior do grupo e que recebe a alcunha de Zé Augusto – alcunha definida em tempo real, pois se ouve ao fundo alguém soprando o nome fictício – espera pacificamente. O sotaque arrastado, forçado e irônico reforça ainda mais o regionalismo como arma e característica benéfica humorística, e não como motivo de segregação. Zé Augusto espera, e ataca. Com um simbolismo simples, atacando a heterossexualidade impecável do nosso fidalgo advogado e sua estranha voz “fina”. Luiz Pareto perde a compostura, e passa por todo tipo de xingamento possível.

Fora isso, a pujança da ponta fraca. Um reles (fictício) operador de telemarketing tem seu dia de vingança. Encarregado de um serviço desagradável, acostumado a ouvir todo tipo de ofensa, tem seu dia de fúria. E o pior, seu chefe é acionado, por solicitação do próprio Pareto.

Surge Paulo José. E ataca não só a pessoa, mas como sua a profissão. Luiz perde a linha, atordoado com a rajada de situações inesperadas.

A conversa se prossegue por mais duas ligações. Aparentemente, a trupe acionou a própria Telerj para solicitar o conserto na linha, só para poder prosseguir com a farra do escárnio. Ai surge outro gigante, Elizeu Drummond. Distinto, formal, atencioso, ataca na sutileza fingindo, de maneira esdrúxula, que Pareto está fazendo uma pergunta para ele. E Pareto cai na piada. Talvez eles pudessem prolongar por horas que o advogado não cansaria de dar subsídios para o trote. Elizeu acusa que um funcionário fez uma reclamação a respeito do advogado, e ele cai na conversa. É um caos auditivo que requer diversas repetições para reparar nas sutilezas.

O diálogo persiste, e nenhuma palavra minha retratará com precisão aquele momento único do humor brasileiro, sucesso absoluto desde a proliferação da internet no Brasil. Presenciei grupos de pessoas que moviam todo um contexto de conversas, formais e informais, para inserir trechos do trote sutilmente no diálogo. Pessoas migram até a famigerada Rua da Assembléia, nº 10 para conhecer e tirar fotos perante a fachada do edifício comercial. Tudo isso, por mais que o talento do trio seja inegável, ao maior e mais inocente “escada” que conhecemos no meio subversivo cultural: Luiz Pareto, o eterno.

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Não é muito difícil observar isso que direi, mas as causas julgo bastante interessantes. Rubens Barrichello nunca foi popular. Seu estilo tranqüilo, o fato de ter tido uma carreira bastante tradicional, de sucesso mas nada comparável a de ídolos passados. Ou não? Vice-campeão várias vezes, esteve no foco da F1 em seu período mais morno, porque dominado exacerbadamente pelo melhor piloto de todos. Por aqui, mesmo tendo sucesso, era piada. Sempre foi. Lento, pé de chinelo. Depois de passar o momento de sucesso, ficou lá no fundo, tranqüilo, lembrado pelos comentaristas como um dos pilotos de ponta, por sempre cumprir o papel de correr sem quebrar com o carro ridiculo que estava tendo na Honda. Massa é o foco. E o seu carisma, mesmo disputando titulos, nunca foi bom. E olha que não é por falta de marketing, Globo… O Massa é antipático. E com Brawn, e o retorno de Barrichello nas disputas, ele não é mais um corredor lento, tudo e todos parecem torcer por ele. Barrichello tem carisma, mas agora, mesmo decepcionando e perdendo sempre para Jenson Button, o Brasil parece querer abraça-lo, como um herói possível. A queda provável é o próximo passo, e veremos como irão reagir. Não é difícil ver para perceber que ele não irá se tornar o primeiro piloto, não deverá ser o foco do foco, como poderia quando começou o primeiro grand prix da temporada.

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Bom, assisti Dia dos Namorados Macabro. Sem dúvida, acho genial a idéia de se fazer filme de terror em 3D. O que o 3D proporciona junto com as capacidades de um bom filme de terror pode criar uma experiência divertidíssima e cheia de sustos.
Esse Dia dos Namorados… é divertido, agradável de se ver, mas não aproveita, nem de longe, tudo o que de poderia desses artifícios. Claro que esse tudo é subjetivo e desconhecido, dando espaço para muitas experimentações.
A questão é que o 3D em live action é uma nova forma de se expressar uma linguagem. É preciso que se comece a pensar como estruturar formalmente um filme a partir desses artifícios, dispositivos etc. Não é apenas fazer um filme normal e colocar alguns elementos voando em direção ao espectador – nada contra isso, inclusive acho que o Dia dos Namorados tem pouca sanguinolência e armas nos assustando.
Na verdade, eu também não tenho nada claro na cabeça. Mas acho que o 3D pode fazer uma coisa meio “interativa”, criando relações – passivas, mas que criem uma sensação de interatividade – muito interessantes e, acima de tudo, divertidas.
Robert Rodriguez deve ser pensado, com certeza.

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Jason Lee e Brian O'Halloran em Mallrats.

Jason Lee e Brian O'Halloran em Mallrats.

Quando comecei a pensar a idéia dessa série de textos, se tratava apenas do meu interesse por Kevin Smith, e da idéia de como ele, tão demonstrativo do que significou o cinema indie americano nos 90, lidaria com ícones tão expressivos dos anos 2000, no caso o Seth Rogen. Isso foi crescendo e resolvi fazer uma série de revisões de obras que eu imagino como a imagem dos anos 90 no cinema americano. Em breve surgirão outros.

A primeira reação é a de notar o que a gente salva dos filmes iniciais, os objetos dessa volta minha. O Balconista, Barrados no Shopping/Mallrats, e Procura-se Amy. Por que são os filmes que se aproximam dessa idéia de um universo jovem, que ele então recupera no Zack and Miri. E justamente é o que sempre me interessou nele, o ato de se colocar como um cronista geracional. E aí podemos colocar que seria uma geração ficticia, que exista apenas em sua mente. Algo que não difere tanto de eu colocar o Judd Apatow como o maior cronista da minha geração – que geração é essa, é a mesma pergunta que me faço sempre que penso na idéia que viria a me ocorrer para chegar nessa conclusão. Por que toda geração existe em torno de várias, e os filmes de Smith me convencem sobre a dele. E eu realmente acredito que ela só faça sentido naquele momento, como realização mesmo, por isso retorno com algum carinho à esta década na qual cresci.

A conclusão mais direta é evidente: o Balconista, que em teoria por vir antes poderia parecer melhor, perde para os outros num simples fato de ser burilado em torno dos principais defeitos do cineasta. É só diálogo e referência. O que há de melhor no filme, e é claro que há algo de bacana, é como ele é bem construído, foi pensando, moldado em torno das locações e da imagem que suas duas personas em cena têm, Brian O’Halloran e Jeff Anderson. Não à toa são imagens recorrentes na obra. Mas a referência, isso tão ligado à obra dele é na verdade apenas parte de sua obra, não o corpo dela. É como se com o tempo restasse apenas isso, o que vemos em Jay and Silent Bob Strikes Back, tempos depois em 2001.  Como se ele mesmo não acreditasse nas suas capacidades, ou mesmo não percebesse que houvesse algo de realmente forte no mundo que ele foi capaz de moldar.

A diferença dos outros é que se o preparo excessivo do outro para as questões centrais enchia o saco, literalmente, pelos dialogos calculados, as referências espertas a todo momento, isso tudo é parte do corpo de Mallrats e Procura-se Amy, mas de uma forma bem diferente; aqui os filmes não contam uma história em torno disso. Lá o filme era um idílio entre dois personagens, onde eles divagavam. Era a vida que não andava, e a vida nesse universo – o construído por Smith, e o mundo cultural ao qual ele consome. Em Procura-se Amy, e também um pouco em Mallrats, não há mais a necessidade de fazê-lo surgir, o universo já existe, já sobrevive. São filmes independentes, que narram questões maiores, crônicas juvenis diferentes – Mallrats com seus dois protagonistas tentando reaver suas mulheres e seu mundo (o shopping), Procura-se Amy com o triangulo amoroso entre Holden, Banky e Alyssa, mas principalmente o duelo de um jovem careta num mundo pós-moderno contra o seu sentimento por um ser desse mundo. O Balconista era sim um filme sobre Dante, e a vida emperrada, mas dava bem mais espaço para o resto, o lado bobão cult. Mallrats é um filme sobre aquelas ações, Procura-se Amy vai também nesse caminho. Se o mundo e encenação de Smith não vivem sem referências, elas ao menos são um detalhe.

E não há porque defender o excesso de conceito em torno dos filmes, porque se é por isso o Dogma, o pior de longe, deveria ser o melhor, é o projeto da vida dele. E nem por isso seus filmes eram mal construídos visualmente, o que me leva a crer que ele sempre subestimou esse talento. Zack and Miri termina com um plano extremamente bem construído, mas é quase inteiro filmado com preenchimento correto, nunca filmando mal, mas nunca tentando solucionar nada assim. Mallrats deve ser o melhor, enquanto Brodie fala alguma bobagem logo na introdução, algo divertido mas inexpressivo, ele já constrói todo o filme, seu ambiente, sua lógica, com uma série de imagens do shopping. Aquilo é imaginar visualmente o filme, e esse é de longe o filme onde até as referências funcionam melhor, porque fazem parte de um código que responde diretamente a realização do filme. O Jay e Silent Bob são literalmente super-heróis, e voltam a humanidade no filme seguinte, até zombando das coisas que viveram no shopping. É o filme que capta de forma mais tranqüila o estar vivo e ser jovem no meio dos anos 90 em New Jersey. Segundo, é claro, o Smith.

O Procura-se Amy é diferente, pretende-se o filme adulto, e até é. Lida com a questão central da obra dele, que seria a idéia de uma criação careta e católica, como a dele, lidando com esse universo que ele seria o primeiro a dizer que é incrivel, de infinitas coisas. Mas é um filme que me parece totalmente embolado a partir do momento em que a crise deveria entrar em cena, e por isso é uma grande decepção. Depois que Holden e Alyssa ficam juntos, as soluções são as piores, o Banky deixa de ser um personagem complexo, vivido pelo melhor ator de seus filmes o Jason Lee, e vira apenas o elemento que quer implodir a relação. O drama de Holden não é descobrir aquelas coisas que descobre, mas sim o fato delas existirem. Transformar o Banky no agente disso é fácil, fácil de um jeito que o filme não era até ali. Mas é um filme bem interessante, bem menos bobo do que se espera dele. Porque se eu defendo o Mallrats, é porque acho um avanço e um filme realmente bem legal, um bom filme, mas não por isso um filme menos bobo alegre. Ele existe como uma aventura, uma brincadeira de se colocar personagens que poderiam ser amigos dele numa trama cheia de ação no cotidiano. Por isso vale perdoar até as piadas mais idiotas, que não estão aqui no Procura-se Amy.

Um momento eu acho mesmo foda: o Banky dá uma risadinha olhando para o desespero do Holden ao ver ela beijar uma mulher, mas é um segundo e ele fecha a cara e fita a câmera, se situando no local. É um instante que acho animal no filme.

E então chegamos no Zack and Miri. Se vemos logo que o universo do Seth Rogen dá uma misturada nesse mundo smithiano, é também porque ele já não mais existia. Ele sempre intencionou o fim desse universo lá no Jay & Silent Bob Strikes Back, inclusive o Balconista 2 parece um zumbi quanto a isso, embora não ache um filme ruim, e Jeff Anderson e Jason Mewes interpretando personagens que não são Randall e Jay é a obvia prova.  E não é coincidência que ele tenha sido enterrado logo na virada do milênio: aquele mundo não tinha mais tanto sentido como um dia ele fez, aqueles personagens entrariam em outro estágio. Seria legal ver o Smith filmar isso, mas a opção dele foi patinar. Tentou de tudo, e caiu aqui, num novo filme jovem. Lidando com o que? A caretice de um cara que se julga não-careta, mas que no aperto faz a cena de sexo comportada e mais careta do mundo com a mulher que ama, enquanto faz do resto do mundo idealizado de certa forma, o contrário disso… O Zack de Seth Rogen não é só falastrão como Brodie ou caretasso como Holden, ele é um protagonista dessa loucura também, como Alyssa.

É um filme sem liga, mas em alguns momentos muito bom, raríssimos. Acho que ele tem um elemento legal acima de tudo, que é os dois atores centrais além de ótimos sozinhos, terem uma química acima do comum. E isso é o bastante pra tornar ele palatável, mesmo nos momentos em que ameaça ficar um saco. Acho bem legal o fato dele colocar o nú frontal dos dois sexos num filmes sobre a realização da pornografia, mas acho que diz muito sobre os homens o fato do masculino não surgir com relação sexual encenada pelos personagens e sim no cotidiano mesmo, na cena final. Outro fato que ressurge é a construção do ambiente em que os personagens vivem, rica em detalhes, um ponto alto recorrente. E a questão do novo século? Os jovens de agora já parecem mais sem alma, apenas dispostos a tirar um sarro do mundo, como eles quando vão a escola na reunião dos formandos, a não ser quando  finalmente se percebem apaixonados, e enfim voltam a existirem, e a realização de ficarem juntos gera um plano final cheio de vida. Há um desinteresse pelo existir deles, o individual, a questão de estarem todos fazendo parte de um ambiente, do mesmo mundo, os personagens aqui só existem para agirem,  que difere dos filmes mais velhos, e desinteressa o filme, mesmo que seja mais bem realizado que alguns dos outros.

E no fim, uma auto-critica que o blog me ajuda a fazer: por que tanto interesse, carinho e paciência com um universo criado por um realizador que eu nem se quer gosto?

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Hora Certeira

Esse vídeo é uma cena feita como exercício curricular no segundo semestre de audiovisual no SENAC. Eu atuo nela. Coloco aqui pela diversão.

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Faz algum tempo, desde que o Chicago Bulls se aproximou desta sonhada ida para o playoff, que venho pensando que o melhor adversário para nós seria o Orlando Magic. Para isso, será necessário mais do que fazer simplesmente o nosso dever, mas torcer por um tropeço do Celtics, e do Magic vencer o que resta. Faltam quatro jogos para o Bulls, inclusive o penúltimo é contra o principal adversário, aquele que pode tirar a vaga que nos daria esse confronto, o Pistons. Não temo mais ficar fora dos playoffs, o Charlote Bobcats está três jogos atrás, o que significa que praticamente já está fora. Não será desta vez a estréia dos bobgatos numa disputa séria. É bizarro pensar que tem jogadores muito bons lá, que nunca chegaram numa disputa de playoff.

Uma informação: após a trade deadline o Bulls é o #4 melhor do leste. Ou seja: esse time, a nova versão dele que suscitou aquele post anterior, deveria estar enfrentando algo mais palatável e só nas fases seguintes enfrentaria um time do nivel dos citados. No entanto, não é o que temos, e a realidade é a saída.

Fiz uma série de tópicos abaixo justificando então o porque da opção pelo Magic:

– a primeira é simples, são três contra um, o Celtics tem Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett, o Magic tem Dwight Howard, mais fácil um do que três para ser parado;

– Dwight Howard é um pivô, forte, atlético, porém o seu estilo é mais parável do que o de Paul Pierce, é possível cavar faltas, fazer ele ter menos tempo em quadra;

– Rafer Alston é um bom jogador, mas o armador do Orlando não é metade de Derrick Rose ainda em sua primeira temporada. Nosso armador é mais forte, mais talentoso, mais alto, mais marcador, decisivo, enfim, para Rafer perseguir ele em quadra será difícil, torceremos para o Derrick não amarelar por chegar aos playoffs tão cedo (LeBron chegou na terceira temporada);

– o Orlando Magic tem algo que não lhe permite errar, o pior banco de toda a NBA, enquanto nós temos Hinrich, Miller, Tim Thomas, que somados fazem sempre um bom número de pontos;

– eu não acredito nisso, mas se Luol Deng voltar totalmente pronto nos playoffs, teremos muitas opções de ataque, e mais variação de jogo que o Magic, que ou trabalha para D12 ou chuta de três, salvo inspirados jogos de Rashard Lewis. Eu não vejo isso acontecer, acho que ele volta jogando pouco tempo, e teremos um reserva muito talentoso sem condição de fazer mais que 15 minutos por partida.

Tudo pra dizer que o óbvio será o Magic vencer, mas me parece um time muito mais limitado. O Celtics tem algo que eles não têm: solidez e experiência, um título conqusitado na última temporada, algo que o Spurs possui do outro lado, uma força que o playoff lhe dá. É verdade que o Celtics em 2008 começou penando, que temer o Cavaliers com sua grande campanha não pode vir sem manter a memória acesa:  o Mavericks quase fez a melhor campanha de toda a história e caiu de cara dois anos atrás, numa derrota pesada contra o Golden State… Acreditar até o fim.

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E o Esporte Favorito faz algo novo nas nossas vidas: posteia um autor convidado. Expandindo fronteiras?

Por Eduardo Valente

Claro que estou longe de ser algo de diferente, ainda mais neste fórum, quando digo que, entre beisebol, golfe ou pôquer, qualquer competição entre duas ou mais pessoas acaba me levando a assistir um esporte na TV. No entanto, havia um que, tendo grande importância na minha infância/adolescência, perdeu completamente a minha adesão nos últimos quinze anos: a Fórmula 1. E, não, isso nada tinha ver com ufanismos sennistas, inclusive porque sempre preferi Piquet ao falecido. Tinha a ver simplesmente com o fato de que, para um esporte que se realiza na maior parte do ano no horário nada amistoso para mim das 9h da manhã de domingo, ao longo destes 15 anos o sentido mesmo de competição parecia completamente perdido para mim, não só pela dominação completa de um Schumacher num certo momento, mas principalmente por esta separação entre uma (ou duas, no máximo) equipe de todas as outras (com variações a cada momento de qual delas, é verdade: Mc Laren aqui, depois Williams, depois Ferrari, etc). Ver uma competição entre 18-20 carros/pilotos, onde só 2 ou 3 realmente competem entre si me parecia absolutamente antiesportivo, pra alguém formado no assunto ao longo dos anos 80 de saudosas Brabhams, Lotus e até Tolemans mostrando-se capazes de ganhar das gigantes a qualquer momento. Nos últimos anos, o desinteresse se multiplicou ainda pela série de medidas “de segurança” que tornaram as corridas em algo próximo de desfiles e paradas, onde nem mais ultrapassar e/ou bater os carros faziam. Neste contexto, talvez fosse um primeiro presságio curioso a maneira surpreendente e emocionante como os dois últimos campeonatos se decidiram nas últimas corridas, mesmo que entre apenas 2 ou 3 pilotos. Não valia a temporada toda, mas valeu ver aqueles GPs. Pois, vale olhar então o que mudou para que neste domingo eu não só tenha colocado o relógio pra despertar às 6 da manhã de domingo, como acordei, liguei a TV, e em 5 minutos já estava recuperado do sono atentíssimo na tela.

Tudo começou na madruga do domingo passado, no muito mais agradável para mim horário das 3 da manhã (quando ainda não se foi dormir), no começo da corrida da Austrália, a primeira do ano. Interessado em ver porque a ex-Honda (uma escuderia com um carro horrendo até o ano passado) estava na pole position, mas também interessado em ver a largada, que afinal sempre é algo que se manteve interessante, não importando a temporada da F1. Dada a largada, porém, não deu mais para desligar: não sei se foi o fato de ver um Red Bull, um Toyota e um Brawn disputando a ponta, ou se foi ver Hamilton e Massa (os todo-poderosos do ano anterior) brigando loucamente entre si pela… décima posição. Fato é que havia ali de volta uma competição para se ver. E mais, uma competição com uma tal soma de elementos dramáticos (KERS, pneus, táticas de abastecimento, safety car), que não havia mais segundo sem emoção – a geração da TV parecendo tão surpresa quanto os pilotos e este espectador, não sabendo como fazer exatamente pra filmar e mostrar tanta coisa que acontecia ao mesmo tempo. Foram duas horas redentoras de um esporte a meus olhos, que a primeira hora da corrida deste domingo só fez confirmar, mesmo que no final tenhamos tido o anticlímax da interrupção pelo temporal (mas, por outro lado, a briga por antecipar quando ia chover e quanto ia chover, e adequar os carros a isso, tenha sido quase tão bom que até compensou).

O que acontece é mais do que apenas o surgimento de uma nova escuderia (a Brawn), que traz essa idéia de que uma novidade de engenharia bem sacada pode mudar muita coisa. Também é mais que simplesmente uma competição aberta entre tantos pilotos e carros. O que acontece é que, entendido o esporte como competição, a F1 volta a fazer sentido por aquilo que é: uma mistura de estratégia, qualidade (do piloto, mas também da equipe), sorte, e tantas outras variáveis. Nestas duas semanas, às 3 e 6 da manhã, o que vimos foi um espetáculo esportivo no ápice, onde inclusive a chamada “hegemonia” da Brawn não é de todo verdadeira, já que na Austrália o Rubinho só pegou o segundo lugar por uma boa e velha pixotada em ultrapassagem (ah, e como isso andava ausente!!) e batida do segundo e terceiro (uma Toyota, um Red Bull); e nesta segunda, as lideranças e estratégias mudavam o tempo todo. De fato, o campeonato ficará ainda melhor e mais inesperado quando as outras escuderias começarem a apaerfeiçoar seus carros, mas o que nós temos de volta, meus amigos, é um esporte a se ver. Que maravilha.

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