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Archive for fevereiro \09\UTC 2010

Assisti só ao primeiro capítulo da 1a temporada (2008), e é sobre ele que escrevo.

Apesar da cobrinha sugadora de cerebros implantada ao estômago de um menino logo na 1a cena, os primeiros 20 minutos pareceram bem “sérios”. Por estar muito no início, o tom dominante da série ainda é enigmático… isso segundo minha percepção talvez um pouco tolerante e com certeza bastante destreinada no que diz respeito à “tele-série enlatada de gênero” (sendo minha única travessia no terreno a famigerada “La Femme Nikita”).

Até os 20, eu pensava assistir mais um derivado de séries policiais “realistas” (apesar da cobrinha malandra) bastante “bem feito” nesses 20 minutos, eficaz e correto no uso dos clichês.

Até que a fodona Dra. Sabichona, conhecida como Dra. Magnus, desfere sua 1a pérola na série, na cena em que ela alicia o jovem herói para que este se converta ao “outro lado da verdade”: ao ser indagada pelo “jovem aprendiz com potencial”, Zimmerman, “Quem é vc?”, debaixo de uma chuva dramática e hiperlocalizada no cenário (por ser de Baixo Orçamento), ela responde, com ar professoral: “Digamos que sou alguém que decidiu abraçar o espectro completo da realidade!”. A gargalhada é inevitável, não apenas pelo ridículo senso “filosofia de integrante do bbb” contida na frase, mas, principalmente, pela completa mudança de registro que a série toma a partir daí. O que até então era um policial-realista-sobrenatural vira um sobrenatural-filosófico-trash.

O trenzinho descarrilha e entra em loopings sucessivos, pois o capítulo entra num buraco negro que mistura uma grande meditação sobre a vida com revelações novelescas sem fim,  de maneira desavergonhadamente excessiva: tudo que manoel carlos levaria 6 meses pra “revelar” é vomitado em 45 minutos: tem para todos os gostos…

– um vilão fodão que aparece e morre no mesmo capítulo (não sem antes revelar ser pai de alguém, e ex-amante de alguém)
– esse mesmo vilão fodão, que se move na velo da luz, é à prova de balas, choques de 10000 volts e dardos paralisantes… esse ser quase invencível morre de forma ridícula ao tomar um veneno, achando que era o sangue da Dra. sabicha, mas não sem antes perguntar:”Vc não está me enganando, né?”
– a lorinha gostosa era um embrião que a Dra. congelou por 100 anos, e só o descongelou porque, depois de 100 anos sem o amante, ela estava se sentindo muito sozinha.
– o santuário é a escola da professora xavier travestida de ghotan city, mas os alunos bichanos (sim, são bichanos feios e não modelos de revista) têm poderes nada bonitos: dentes afiados e gosma.
– o mordomo do santuario é o chewbacca.
– o jovem aprendiz Zimmerman chora ao ver chewbacca de cama, não sem antes ser flagrado no corredor levando um buquê de flores para o amigo!
– O vilão fodão era na verdade “Jack, O Estripador”, e em 100 anos perdeu os cabelos mas sobreviveu ao tempo. Parece que o Watson tb está na série como um vilão.
– A Dra. dá inveja à todas as mulheres: ela tem 130 anos e corpinho de 35, mas não revela o segredo.
– O aprendiz teve a mãe morta por um bichano mutante, e nesse tempo todo ele reprimiu essa terrível lembrança, e já não se lembrava que quem o salvou da morte naquela ocasião foi a… Dra! (O José Mayer da série, ela está e esteve em todos os lugares e eventos).

Uma novela inteira compactada em 45 minutos, ou melhor, 25 se tirarmos os primeiros 20, que são outra coisa. Efeitos especiais lixosos e atuações tão duvidosas que, no decorrer do episódio, vc se acostuma e a performance ruim vira “distanciada” e “bretchiana”, pois tamanha a naturalidade da tosquice que acreditamos que tudo aquilo só pode ser feito de forma puramente consciente. Geralmente o é, devido ao espírito de porco dos roteiristas somado ao baixo orçamento dos produtores e a uma direção sinistra, mas adequada ao material.  Não importa a intenção, o efeito é bacana.

Os capítulos seguintes parecem incluir ainda expedições pelo triangulo das bermudas, esfinges mutantes, situações a là Lost em lugares indeterminados no tempo e espaço, insetos japoneses superdotados, enfim, o diabo à quatro.

Uma série Sem Vergonha

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