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Archive for maio \24\UTC 2011

Couples Retreat

Gosto muitos de alguns trabalhos do Jon Favreau, em especial a sua parceria com Vince Vaughn. Pra quem não sabe, eles são melhores amigos, e realizaram juntos alguns filmes,h ora apenas escrevendo e atuando, hora dirigindo e produzindo. Enfim. O mais conhecido, até então, é o Swingers, um filme bastante comemorado nos anos noventa. É o filme que lançou para o cinema americano Doug Liman. É um bom, em especial pela química entre a depressão e histeria, que os dois possuem. Gosto do Liman, também, apesar de nem sempre fazer bons filmes. O segundo filme da parceria dos amigos foi Made, um filme pequeno, que Favreau dirigiu antes de se tornar um cineasta relevante, digamos, financeiramente. É um filme pequeno, mas intimo entre eles. É bem decadente. Acho ótimo. Esse Couples Retreat é a última parte, é o primeiro destes filmes que vê eles como pessoas bem sucedidas de fato, já que hoje Favreau goza de uma carreira milionária como cineasta e pode atuar com mais tranqüilidade em filmes onde é um coadjuvante de luxo. Enfim, eles tem outros filmes onde estão em cena, mas esses sãos os filmes onde a parceria criativa é a força de autoria por trás dos filmes. É evidente que são filmes diferentes em tom, em muitos momentos, por serem dirigidos por cineastas variados, o que faz desse o mais light, e o Made o mais tenebroso. Acho que se Favreau fosse o autor de todos eles, teríamos mais um tom dele, que dos outros filmes. Em todo caso, acho esse filme, o Couples Retreat, bom. O pior deles, mas ainda assim é um bom filme, acho que ele se perde um pouco em alguns momentos. Mas se formos retornar aos outros filmes, é comum esses problemas de estrutura. Não são brilhantes artesões, mas além de ótimos atores, eu vejo nessas parcerias algo muito forte, um sentimento bem claro de visão, ponto de vista. São filmes basicamente sobre impossibilidade de se ser feliz em conjunto, mas da falha miserável de se ser só. Parece piada, mas basta olhar que os personagens sempre procuram a felicidade em abandonar a vida entre amigos, mas acabam retornando para o seio da amizade – ou da família, agora que são mais velhos – porque simplesmente não é possível se existir só. O último trás ainda mais personagens, e uma inversão, que considero genial. Porque explora os atores, e porque questiona um pouco a persona na tela deles. O Jon Favreau, em Swingers, era o cara sério, em crise, enquanto Vince era o histérico, garotão; agora, mesmo que mais velho, a histeria mudou de lado, e o cara mais comum é o outro. Esse filme tem muitos personagens, e embora o casal do Jason Bateman é até melhor e mais curiosamente desenvolvido, especialmente que o do Jon Favreau, que depende dele, acho que há personagens demais, e por isso o filme fica meio disléxico. Mas é um bom filme, dirigido por Peter Billingsley, que produziou vários filmes, inclusive o Made. Ele é estreante, como todos eles foram. Acho que são filmes que tinham potencial de serem muito bons mesmo, mas que oferecem material suficiente para uma boa defesa, além de que o Couples, em particular, tem o Vaughn destruindo.

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Viva Django!

Viva Django, 1968. Terence Hill é o cara

Esquisitissimo esse filme de Ferdinando Baldi, um faroeste que como tantos explora o nome do mítico personagem de Sergio Corbucci, desta vez na pele por Terence Hill. A verdade é que não há muita relação, na maioria do tempo, o que torna o filme ainda mais misterioso. Não por ser um filme picareta – todos os filmes feitos ali praticamente eram picaretas. Afinal, o grande filme do Fulci é o Zombi, e bem, é exatamente a mesma coisa a respeito do filme do Romero. Mas não é isso que eu queria destacar. É que o filme é mesmo bizarro. Dramaturgicamente, não estamos em terrenos tão distantes do faroeste tradicional, que tantos cineastas bons e ruins praticaram, cheios de seus atores clássicos – George Eastman tem pouco tempo em cena mas não deve nada ao Terence Hill. Mas é enganoso – o filme tem uma relação com a estrutura dramática que foge da tradição. Mesmo que seja muito fácil entender quem são os outlaws pro bem e pro mal, o subtexto político e a lógica da lei do oeste perdido, tudo que sempre vimos nos filmes italianos em sua maioria a estutura é diferente.

O Django é quase um perdedor imortal. E um perdedor imortal, no caso, não aceita jamais perder, logo é um vencedor. Mas ao fim, ele não parece ter ganho nada, mesmo se vingando. No começo do filme ele recusa um trabalho por ser um cara pouco ambicioso e que prefere viver a sua vida sem sangue, é traído um milhão de vezes, vê todo mundo ao seu lado morrer, volta milagrosamente, organiza um bando de rejeitados, é traído mais uma vez, vê o bando morrer nas mãos de um deles, mas será que ele consegue vingança. Claro. A vingança é conseguida, o vilão cai no chão – mas não é nem muito exagerado. Contido. Especialmente para um faroeste, maneirista por existência, o cara só cai. O George Eastman, que faz o cara que pega o o emprego que Django não aceita, tem um final um pouco mais louco, numa cena fantástica. Django ateia fogo num saloon, e um tiroteiro insano se faz, com o lugar quase todo despedaçado. Mas ele não é o verdadeiro vilão. E meu ponto é, o Django de Terence Hill tem carisma de sobra, mas não tem o charme invencível de outros Djangos, Keoma, e afins. Ele é invencível, mas é meio esmaecido. Ele é sempre traído, e parece que sempre será, não tem malícia, ou tem e prefere acreditar em todos. Seu objetivo é sempre seguir o seu caminho. É um filme engenhoso na criatividade, porque bola reviravoltas e caminhos pra trama que se não é algo extremamente novo, é pouco comum. Depois de traído e deixado pra morrer, Django se torna um enforcador e salva as vitimas com um apetrecho que inventa, e faz com que todos pensem que eles morreram mas na verdade os junta num bando. Assim como ele, eles são dados como mortos pela justiça, até um enterro tiveram. Django vira quase um mágico, num truque enganando a todos – só que esse é um momento. Assim como há o momento da traição, há o momento do truque, e há o momento do roubo ao ouro. É um filme cheio de novas reviravoltas. A trama nunca segue num caminho único dramático, ele segue dando voltas. Django não retorna com o bando para o roubo que planejam interferir, pois sabem ser de uma valia para seus inimigos por lá – é preciso dizer que Django também não aceita que seu bando mate os caras que lhes traíram. Ele acredita que são inocentes, logo se saírem destruindo todos, se tornariam culpados. O Django do Terence Hill é pura filosofia. Ele fica porque tem que impedir mais um de ser morto pela justiça, esposa de um deles – ao ficar, ele não assiste ao marido dela trair o grupo, impor uma mudança de planos. Enquanto fica e salva ela, Garcia, o marido dela, mata todo mundo após o roubo. É isso aí. E lá, para salva-la, Django é pego, e descoberto.

Já está claro que o Django tem uma inocência bizarra para um personagem de faroeste, que ele só se ferra o filme todo, sem perder sua integridade, e mesmo assim ainda a marginalidade. Mas o filme guarda um dos seus momentos mais únicos: o espancamento de Django. Ao ser pego, vemos uma cena enorme, sem musica e câmeras afetadas. Um bando inteiro espanca, brutalmente nosso herói. A cena é muito mais pesada que a da traição, e mesmo a da morte do vilão. Antes de saber que o cara que lidera o grupo é o cara que assumiu o emprego que ele recusou, e que tudo aquilo era na verdade obra do cara que matou a sua família – porrada. É uma cena relativamente longa, e assustadoramente direta para um filme maneirista. E veja bem, o filme não trai o movimento, a diversas cenas com show de zooms pra lá e pra cá, e toda a fantasia que sempre nos alegra e diverte.´É que este não é um filme comum. E esse Django picareta, também não é um cara comum. Mesmo para um Django.

Voltando a narrativa, conclui que o melhor jeito de explicar é contar, o Django descobre que cara por trás ali é mesmo o cara que matou sua família, e tal. A esposa que ele salvou e o velhinho com quem dialogava, o ajudam, e ele escapa. Enquanto isso, o traído do bando dele, já estava voltando com o dinheiro, e a morte de todos contra si. Mas ele só reencontraria ele depois. Antes, ele organiza com explosivos uma cena fantástica, bota um lugar abaixo. O vilão escapa, mas o líder do bando que trabalhava pra ele, o George Eastman, tem uma queda cheia de requintes. O olhar do Django pra ele é tão estranho, que parece mesmo que ele cogita salva-lo. Sério, o Terence Hill tem um olhar muito curioso. Dali ele segue caminhando seu caminho, é novamente atacado por mais caras que o vilão manda, e enfim se encontra com o seu novo traidor. O cara que matou todo mundo que ele impediu ops enforcamentos. Mas o Django não perde, e o duelo é rápido, e logo ele mais uma vez deve sua vida para nosso vingador. O mais curioso é que não parece que ele o mantém vivo apenas porque ele é útil, mas porque ele realmente, mesmo depois de tudo, não acha que ele deve morrer, a não ser que ele o force fazer isso. Django bota então mais um plano, usando a família pobre que queria ser rica e que ele salvou algumas vezes, fazendo seu traidor maior vir para ele, mas não sai como se espera. Mais uma traição, mais um momento de inocência. Ele trazia diversos caras com ele, que o esperavam distante. E então, Django vira Django, se cansa, puxa a metralhadora, e pronto. Ninguem fica em pé, apenas ele. É um filme tão pouco usual, que chego a duvidar que quando Django diz que só lhe resta o ódio, isso seja mesmo o que ele sente – não é o que parece. O Django de Terence Hill é de uma sensibilidade bizarra, e o que Ferdinando Baldi e ele conseguem nesse filme, é mesmo brilhante: um herói vingador verdadeiramente distinto.

***

Aquela mostra do ano passado, que esteve no CCBB, exibiu o filme em película. Eu perdi, e quem não viu, perdeu também. Era uma oportunidade bem pouco usual. O filme saiu no Brasil, mas é desses DVDs que dão trabalho, por serem de distribuidoras menores. Mas vale a dica, comprem ou baixem.

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Craven

Há um tempo eu vi A Hora do Pesadelo, o primeiro, sob os olhares mais atuais. Não me lembrava de muita coisa. Principalmente que se tratava em absoluto de um filme-sonho, mesmo. Não há fidelidade com a realidade, com o mundo, em sua atmosfera. Na verdade, há nos sentimentos absolutamente brutos dos personagens. O medo é o que liga esse universo fantástico com o nosso mundo. E só ele. É talvez da ideia própria da política em torno do insano rejeitado pela sociedade, queimado vivo, retornando para amedrontar os jovens em seus momentos mais indefesos – a imaginação e o sonho. O que ele reflete, em si, é um sentimento bem real de indefesa. Não existe saída, mesmo que a Heather tente burlar e dialogar com Freddy dentro do seu mundo. O medo é insolúvel, e a razão não vence a imaginação.

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