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Archive for setembro \22\UTC 2011

Satantango (1994)

Satantango (1994), de Bela Tarr

Tem sido dias corridos, entre o indie e filmes vistos por aqui. Mas fica difícil ignorar essa sessão de Satantango no CineSesc. Mais um ponto pro Indie, que já estabeleceu-se como o melhor festival para retrospectivas do país. Além de oferecer um cinema maior, uma tela melhor, e levando a sério o fato de ter apoio público, sendo todo gratuito, o Indie já trouxe de tudo, cinematografias variadas, mas sempre tem algo a ser visto. A mostra do Bela Tarr interessa muito, pela raridade e pela descoberta. Esse filme, mais ainda, é como uma lenda para muita gente mais nova, um mito. Claro que o status mitíco atrapalha um tanto na expectativa, mas para quem conhece filmes do Bela Tarr, e eu vi Werckmeister Harmonies e o Homem de Londres antes, além doutros no próprio indie, o filme é bem tranqüilo, digo que não nem de perto o mais difícil dos filmes dele. O fato é que ser longo pode impedir alguém de assistir em uma sentada, mas dramaturgicamente é um filme sem arroubos táo radicais assim. Isso foi discutido depois do filmes e nos dias seguintes pelo pessoal que tem estado por lá, e de fato é meio complicado precisar o radicalismo – como pode se dizer que um filme de sete horas não possui radicalismo, sendo esse tempo todo dividido em cento e poucos planos. Digo então que narrativamente ele é bem simples, a parte a circularidade, é um filme que mais estica os seus momentos pra dar peso a moralidade da sua história, do que um filme que opte por fragmentar, ou simplesmente ser um grande breu narrativo. Se considerarmos o Gerry, o primeiro filme do Van Sant a ser diretamente ligado ao Bela Tarr, creditado pelo próprio, há bem menos ali pra se digerir, a presença da cena por ela mesma é bem mais forte. Mas além de planos longos, travellings, steadycam que segue os personagens pelo espaço meticulosamente estabelecido e filmado, o que mais me lembrou os filmes do Van Sant é a questão da circularidade. Efeito constante no Elefante, onde sempre caminhamos em rodeio, cruzando os personagens, cruzando os instantes sobre outros pov, e no Satantango isso é constante, mas diluído, na medida que o filme tem capítulos. Nunca pensei que isso no Elefante fosse algo confuso, então creio que a diferença de tratamento não expressa tanta coisa assim, mas acho que no Elefante tem um efeito mais forte, mesmo porque um fime mais compacto – no Satantango tem muito mais coisa pesando ao longo de suas horas. É um filme doloroso, quase assombroso. Tinha a impressão durante todo o filme que o personagem que todos os habitantes da vila temem, era algum ser fantástico, e de certa forma, náo deixa de ser, com sua postura em cena.

Queria registrar que revi From Beyond, e que é o mais delicioso das adaptaçóes do Lovecraft, um filme B que funciona na concepçáo do termo, direto, grosseiro, bem montado, sacana, tosco e louco, tudo em bom estilo, Stuart Gordon adapta bem demais os textos que ele se propõe, infelizmente isso faz com que quando lida com texto horrendo, vire babaquice.

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Enfim assisti a esses dois filmes de canibal do período classico do genero. Jungle Holocaust é pioneiro, um dos primeiros a lidar com as imagens que viriam a ser copiadas pelos outros filmes, como de praxe na Itália. Imagens-símbolo existem em todas as cinematografias, mas a Itália copia num level diferente. Mas é injusto e irreal dizer, como muitos, que se viu um deles, basta. Primeiro, porque os filmes merecem ser vistos, mas porque o talento se apresenta em dose triplicada no trabalho do Deodato. Vi uns filmes do Umberto Lenzi de outros generos, a maioria era giallo, e já nao tinha visto nada muito elaborado. Mas quando se pega o Eaten Alive! e coloca de front ao Jungle Holocaust, a diferença assusta. Deodato tem personalidade, o filme tem peso, as cenas tem ritmo, tem emoção, o filme tem realização. Densidade, presença – longe de dizer que se trata de um filme brilhante. Mas é um filme. O Eaten Alive! é divertido e tal, mas é completamente sem corpo. Tudo parece corrido, jogado, uma aventurinha que por oportunidade passa-se na selva. Náo fosse o talento do ator, o mesmo Robert Kerman que comanda o Canibal Holocausto, o filme dificilmente teria qualquer interesse. Afora que abusa muito mais dos vicios, tentando juntar aos montes as cenas de tortura aos animais, cobras comendo tudo que é animal, tem até briga de bicho. As cenas de canibalismo são pouco elaboradas, não tem tensão. Os protagonistas são simpáticos, até demais. Chega a ser fácil a sensação de que eles merecem sobreviver. O grande mérito estrutural do Canibal Holocausto é o reverso da narrativa, j á que se simpatiza com o primeiro cara, que chega a selva e consegue se misturar, e depois se ve o seu oposto, com a equipe de filmagem. Ali, se cria uma zona de suspense – com eles qualquer coisa pode acontecer, inclusive o que acontece. Nesse filme é obvio que eles escapam. O Jungle tem mais suspense, e acompanha um cara que rapidamente se isola dos outros. O trabalho ali é de outro estilo. Sobrevivencia na selva, o cara fica preso por um grupo que não se mostra canibal, enjaulado, descobre seria usado como isca para caças, faminto. No sadismo evidente do Deodato, dá pra imaginar até Werner Herzog orquestrando o filme. A diferença é que Herzog respeita muito os mistérios e o mundo desses lugares, já o Deodato usa e abusa, deturpando e massacrando as coisas.

Essa lógica de filme sobrevivencia é legal, e se encaixa a ideia de luagr inexplorado. Tem cenas grosseiras, coisas bobas pra estabelecer o genero, mas na maioria do tempo o filme realmente sofre com o personagem, e leva a serio a sua proposta. A diferença de talento e de criatividade Deodato/Lenzi são intraduzíveis. Diria que o outro existe para quem quer ver mais um filme de canibal e acabou, tudo tá pra constar, a aventura náo tem peso, e se voce suporta ver animais se degladiando, conseguirá ver um filme de canibal. Nem acho que no Jungle ele vá tão afundo quanto possivel, na tortura pessoal do personagem, mas a coisa é sofrida, a ponto dos animais quase serem um peso menor no filme. O joelho do parceiro, os cogumelos, crocodilo, pancadaria, aves, fome. Tem muita coisas de fato em cena. O Eaten Alive! nem é ruim, mas não tem muito interessem em existir.

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