Feeds:
Posts
Comentários

Archive for novembro \29\UTC 2011

Il Boss (1973)

Eu já sabia quem era esse grande Fernando Di Leo graças ao pessoal dos blogs de genero, que vivem mencionando sua existencia, e pelo Carlão, que já mencionou ele muitas vezes. Esse ano pude ver muitos filmes dele, mais de dez. O cara é mestre, por algum motivo ele acabou ficando mais pelo gueto do cinema italiano, sem alcançar um reconhecimento maior. Não é díficil entender sua obra : são filmes extremamente diretos, filmes de ação mesmo. Mesmo o único que vi que divergia um pouco no genero, era conduzido assim – seu estilo é puro, evidente. Poucos caras fizeram tantos filmes de ação tão fodas, ele fez pelo menos quatro filmes geniais. Aulas de matéria em movimento, montagem. Espetáculo.

Escolhi escrever sobre apenas um filme, para não cair em repetições – embora incriveis, singulares, seus filmes tambem são bastante semelhantes. Optei por Il Boss, por alguns motivos. O primeiro deles sendo que ele tem um dos grandes persongens do mundo dileoiando: Lanzetta. A face de Henry Silva diz muito sobre o cinema de Di Leo, esse ator duro, de face quase sem expressão. Ele fez muitos filmes com Di Leo, mas Lanzetta foi o melhor perosnagem, embora ele seja memorável em tantos outros, como no filme-testamento de Di Leo, o Killer contro killers. Nesse, o universo da máfia começa a colidir, e Lanzetta cresce num periodo de dias em meio a traições, passando de um homem de campo de ação, a um dos poucos comandantes que ficam de pé. É um filme de pouco respiro, que começa já com um primeiro ataque, curiosamente numa sala de cinema. Henry Silva só transforma um projetor em um canhão. Açáo em movimento, aula de como se conduzir uma montagem tensa sem que se perca todo o poder de imagem. Ele usa os ambientes, as cidades, os hábitos dos lugares de forma incrivel.

O Il Boss é de uma trilogia sobre a máfia em Milão que só tem obra-prima. Di Leo sempre trabalha nos cantos da ação com muita subversão, como a filha rebelde do chefão da máfia. Sequestrada, ela pouco se importa. Sua vida se tornou um grande vicio, no sexo e nas drogas. Em algum momento, Lanzetta cruza seu caminho. É o unico momento em que o destemido Silva parece sentir mais do que o desejo de seguir em frente. Numa batalha pela sobrevivencia, Lanzetta só sobrevive porque é o unico que não espera nada mais dos outros. Ele difere de muitos protagonistas dos outros filmes, mesmo os de Milão – são um pouco mais humanos, e consequentemente, o final para Lanzetta e para eles não é o mesmo. Há um certo fatalismo, e o futuro de Lanzetta deve ser tenebroso tambem, mas ele é um herói, e sua trajetória no filme termina com uma sinistra piada num “filme continua”.

Lanzetta estourando alguém em Il Boss (1973), de Fernando Di Leo

Anúncios

Read Full Post »

As Presas (2011)

Fiz essa opção por falar sobre o As Presas, filme de horror de Antoine Cordier, porque conclui que os melhores filmes da Mostra, como The Day He Arrives, Sorelle Mai, As Canções, já tem a sua cobertura, devo fazer alguns comentários em breve sobre outro filmaço, o Histórias da Insonia, em outro veículo. Mas queria registrar este filme, que passou ali sem chamar a atenção, que causou revolta alias, pessoas sairam muito putas, falando que aquilo era ridículo. Extremamente comum, vindo de mostrófilos que não veem filmes inteiros, e que sempre esperam a mesma coisa de tudo que veem.

La Traque (2011), de Antoine Cordier

Não se trata de um filme dos mais fortes na sua completude. Mas ele tem momentos grandes, e estruturalmente mesmo os erros soam interessantes. A principal dificuldade, é que em meio ao horror no mato, ele parte para uma trama familiar delicada. Falta um tanto de mão com as sutilezas e brigas que ficam mais no campo externo ao filme, e nem sempre se tem o impacto que ele propõe. Mas o filme ão é apenas isso, e aquilo que fez a sala testemunhar a maior retirada que vi este ano (excedendo Mekas), é que é um filme duro, escuro, desagradável. O clima é forte, sempre que se foca mais na ação e menos no drama. Desconheço o cineasta, mas parece um caso de pouco experiencia. Pela forma como o filme cresce quando se desvencilha de sua armadilha. Tem uma cena incrível, em que o cara fica muito tempo soterrado em baixo de um porco selvagem. Um solo contaminado faz os porcos partirem como loucos contra tudo, e uma familia que sai pra caçar fica no meio disso numa noite. Fugindo em desespero, ele encontra apenas um dos porcos, já morto, como saída. Ele fica soterrado ensanguentado, sem respirar, tendo que lidar com os outros porcos, que o caçam, farejando seu cheiro, e seguindo seus pequenos movimentos. Ele só escapa porque fica tão imundo com o sangue do outro porco, que ele já não era mais humano para os outros. Sao desses momentos puro sangue, porrada, que o filme ganha respeito e o destaque. Não e um filme muito bom, mas tem muita cena boa. Merece ser visto fora da correria, smepre indo contra os filmes.

Read Full Post »

Arquitetei entrevistar o Don Coscarelli, no entanto infelizmente ele está finalizando um filme novo e mesmo se esforçando não pode ceder a entrevista nesse exato momento. Como esperei muito, resolvi ir em frente e mandar logo o post sobre os dois primeiros Phantasmas. Vi pela primeira vez esses filmes em VHS, muito tempo atrás, e uma das coisas mais marcantes era o aspecto road movie, batalha eterna que ele tem. Os personagens pelos filmes (são quatro) estão sempre numa mesma pegada, mesma corrida, emendando a perseguição ao temido ser do outro mundo, o Tall Man. Desta vez me apeguei a outras coisas, como o fato do filme ter um espirito folkiano, digamos. Do mundo pequeno, simples. São nessas cidadezinhas que o Tall Man faz sua passagem, sempre iguais, comunidades conservadoras, atropeladas pelos seres que o Tall Man faz.Pra quem não conhece a saga, nunca viu nada, o filme acompanha dois irmãos que vivem sozinhos, orfãos, quando um deles começa a ver que acontecem atividades estranhas acompanando um enterro, e descobrem que pelos cemitérios das cidadezinhas, o bando comandado pelo Tall Man, um ser de outra dimensão que transforma vivos e mortos em seres do seu mundo, implantam uma passagem pra outro mundo e vão destruindo sempre as populações. O Tall Man se alimenta do medo. E é incrívrel como o Mike, ainda pequeno no primeiro filme, não tem medo de nada. Essa noção de coragem explica bem o porque desse universo funcionar, os personagens nunca ßão desenvolvidos no campo mais profundo, eles são aquilo que fazem, são simples, diretos, definidos por sua coragem e generosidade. O trio é formado ainda com o Reggie, o cara mais legal do mundo. Enquanto o irmão mais velho fica no primeiro filme, num fim confuso, questionável, o Mike cresce, e volta no segundo como James LeGros, provavelmente num movimento dos produtores, nas demais continuações voltamos ao ator do original. O Mike original mistura melhor a vulnerabilidade com a pegada do personagem. O Legros faz o tipo galã, e fica meio esquisito, mas segura. O segundo é o pior pra mim mas essencialmente faz a s´rie ser o que ela é, um filme de constante perseguição, na estrada, em movimento. O Coscarelli não é nenhum genio, mas sabe construir as coisas a partir do pouco, das situações sempre menores, mas tem um característica que acho foda, a sensibilidade pra criar cenas marcantes. O Reggie tem uma incrível, que é uma coisa meio boba, sem maiores explicações. Ele toca a guiatarra, e do nada tem um momento de premonição, ele sente que tocando algo, que estava na sua guitarra, ele está se conectando com alguma coisa. É uma cena simples, mas forte, retomada no fim do filme, quando ele fecha os portais usando o mesmo toque na hastes como na sua guitarra. São momentos tão simples, sem formar um grande filme, mas um filme forte. E o ritmo, sempre progressivo, operário, sem exagero, sem cortes rápidos, no ritmo do caminhar. A trilha de pequenos acordes, segue o espirito operário, em marcha – evidentemente inspirada em Carpenter. Acho muito legal, e aos ratos do VHS que nucna tiveram a chance de ver, vale a pena, o filme tme estilo.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: