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Archive for dezembro \30\UTC 2011

Achei muito bom esse novo filme dos Dardenne. É evidente que muito do que sempre esteve continua lá, os humanismos exagerados, como o pai que abandona o filho mas não deixa de se preocupar com ele quando ele cai de um muro, mas vejo uma pequena mudança. Tem muito da agressividade – o personagem central é atormentado por espasmos loucos, ele não só comete erros, como os `humanos` de seus filmes, a questão aqui chega num ponto fisíco. É explosivo, fora de controle. A moral ainda circula, o amor da mulher por ele ainda é o que salva sua vida, mas o filme não é apenas um grande caminho pra isso. Há bem mais. Tem composições mais quentes, e a partir do Lorna, vejo que eles já lidam com sobrenatural. Nem tudo que se toca se explica, como a queda vertiginosa do garoto que sai andando, triunfante rumo a vida de amor que lhe espera. Daí que acho muito legal o exagero dramático da trilha – vai de colisão com o excessivo frio do resto, da fabula moral. Embora o caminho já apontasse para este lado, para mais experimentos, para o enriquecimento geral dos filmes, ainda assim não esperava ver algo forte assim, com peso que vai além da jornada determinada ao personagem. Não quero dizer que os outros são ruins, é argumentável que um seja melhor, mas vejo como filmes menos ricos, menos intensos. Talvez mais diretos, efetivamente, mas menos interessantes para além do `formato`.

O Garoto da Bicicleta (2011), de Jean-Pierre e Luc Dardenne

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Escrevi aqui sobre o longa anterior, Mangue Negro (2009), do Rodrigo Aragão, justamente porque achava que ele tinha um trabalho que se destacava. Ao contrário da maioria dos realizadores que vivem nesse meio de filme semi-amador, fazendo filmes trash pra consumo deles mesmos, o Mangue Negro se preocupava bem menos com essa expectativa do público. Esses filmes do submundo de horror brasileiro costumam ser preguiçosos, enchendo-se de thrash metal nas sequencias de terror, e basicamente vivendo de roteiros com piadas escatológicas. Tem sempre os caras com mais talento que se destacam. O Aragão era um deles, justamente porque tinha um toque de artesanato – filme de interior. Lidava com mitologias brasileiras, as trabalhava, pensava e criava em cima de coisas muito fortes, ao invés de só se alimentar e copiar filmes de zumbis. Esse A Noite do Chupacabras, que aparentemente é baseado num curta dele, que não vi, não tive oportunidade, é um passo atrás. A defensiva do Aragão anunciando o filme já revelava, de certa forma, a afragilidade dele.

Não acho que ele tenha perdido o toque pessoal. Ainda vejo nesse filme a predileção pelo interior, pela cultura local. Por tentar engendrar algo novo, estruturando uma briga entre duas familias que por terra e ego se atacam o tempo todo. Só que tudo isso perde qualidade se o filme simplesmente só joga as coisas lá. Elas existem, são legais, mas o filme é muito largado. O zelo que ele tem em tantas sequencias naquele filme, como o personagem do velho, o mesmo Marcos Konká que volta nesse filme, aqui parece muito tosco. O filme não tem cena, não tem construção. Técnicamente ele continua na frente da maioria dos realizadores independentes, até mesmo a forma de representar o chupa-cabra acho bem bolada. Mas enquanto lá o apuro dos efeitos se juntava ao trabalho de realização, aqui é só um mérito pequeno.

O filme parece não querer ser cinema. E sim uma brincadeira pra amigos, trabalhosa, feita com zelo e amor, mas uma brincadeira. Não consigo ver a forma como ele coloca as coisas em cena sem notar o carinho pelo universo, a empolgação com as piadas e as pessoas ali. Mas a coisa não vai e o filme só joga para a galera, como se palavrão levasse o filme nas costas. Claro que tem momentos que são engraçados, mas é muito pobre como cinema. Tem hora que parece que não tem ninguém dirigindo, que a coisa só se juntou na montagem e tentou se dar ritmo. Apesar do cuidado de sempre, da bagagem e universo interessante que ele tenta criar – sem sucesso, desta vez, são coisas que estão lá, mas que só as vejo assim, claras e com interesse, porque vi o outro filme dele, que era bom. Talvez se tivesse apenas visto este, se quer teria o que dizer a favor dele. O filme meio que abandona muita coisa, o chupa-cabra mesmo é um fantasma em cena, não tem nenhum valor além do signo. Se no outro o talento lhe colocava como um diferente, esse aqui nao é ruim, só é mediocre. Apenas um outro filme mediocre desses.

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Black Caesar (1973)

Mais que ícone, o mito Fred Williamson em Black Caesar (1973), de Larry Cohen

Black Caesar foi exibido na mostra de blaxploitation do CCBB/CineSesc, é um dos filmes mais paradigmáticos do Larry COhen. Não vejo como um dos melhores, mas ainda assim é um puta filme. É seguramente o melhor filme dessa mostra. Com todo respeito ao Jack Hill, que é um cara com talento, mas seus filmes ganham uma dimensão de público um pouco exagerada. Dentro da comunidade de cinema daqui, só se falou nisso. Enquanto um maestral Cohen estava ali, sem atenção – e olha que ele fecha bem melhor com o tema. Fred Williamson como chefão, cinismo no auge nas piadas-limite de teor racial. James Brown! Uma trilha inteira. O filme dele é um grande mosaico, arquétipo de subida e descida de um jovem que desafia a lógica, tomando dos gangsters um bairro. Cohen trabalha o tempo num nivel especial – estamos numa elipse frenética, anos se passa num corte, mas a dimensão da mudança é puramnete moral/dramaturgica. Sem obviedades e facilidades tipicas do cinema mais recente. Sem cartelas, sem avisos. Só cortes. O filme corre, como a vida do protagonista, rápida e exagerada, sempre no limite, até sua queda, ao estilo Cohen. O Hell Up in Harlem não passou, assim como muitos outros filmes legais do movimento. O próprio COhen fez uma homenagem em 1996, um filme bem legal. O Hell Up é continuação, que tem uma história genial: ao saber do sucesso do Black Caesar, o Larry Cohen foi até os cinemas ele mesmo mandar cortar o fim, na mão, pro protagonista não morrer. Tudo a ver com o cinema marginal brasileiro, em muitos sentidos…

ooo

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