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Archive for fevereiro \12\UTC 2012

Ainda na peregrinação pelos slashers, esse é um dos piores filmes produzidos na época de ouro do slasher. Ou, pelo menos, é propagandeado assim, de um modo geral, por quem estuda o sub gênero. Sua grande curiosidade, além da maluquice de usar o ano novo como um feriado como os outros tantos usados em filmes de horror (Halloween, dia da mentira, dia dos namorados…), é que o filme é da Cannon, ainda quando a produtora estava longe do tamanho que teve nos anos oitenta. Os fãs de filmes de ação da época (American Ninja, Braddock, Falcão) sabem bem da importancia histórica dela, que tem tudo a ver com o mesmo tipo de filme cartoonesco. Isso fora ter produzido o melhor filme – ok, podemos discutir – do Cassavetes, Love Streams.

New Year’s Evil, de Emmet Walston, é ruim a beça, mas faz algumas inovações. Apesar de todo mundo usar roupas horríveis e ser ambientado de um jeito que faz parecer que estamos num futuro imaginário e não nos anos oitenta – acho que o mundo meio que parecia mesmo isso – ele mostra o assassino. O assassino está em cena o tempo todo, de face a mostra, e não é um super assassino nem nada. Mais: ele é meio que o herói do filme, mesmo. Não num subtexto, ele é e ponto. Sua mulher, teóricamente a mocinha, é uma antiga rainha do rock, fazendo um show na TV, algo assim, que acompanha comemorando o ano nov em cada fuso americano. O herói-vilão é o marido dela, embora isso seja uma surpresa no fim, que liga para o programa dizendo que matará uma mulher para cada horário. Ele grava e coloca no ar ao vivo, ligando pra lá. O filme teria até potencial, se não fosse tão mal realizado. Tudo é estruturado pra ela ser o exemplo de péssima mãe, péssima esposa, e tal, nos moldes mais machistas que qualquer filme da época conseguiu chegar, basicamente justificando que ela acabou com a vida de toda a familia dela, sendo a péssima pessoa que era.

Quem conhece e leva minimamente a sério os filmes da época, sabe que esse tipo de subtexto era comum, e sempre nesse molde, o cara é mesmo louco, assassino, puro mal,mas ao memso tempo que seu discurso, suas razões, ou em casos mais comuns os traumas, são reais, e muitas vexes, como nesse, tratados como um motivo justo para enlouquecer.

É um filme interessante para quem estuda os slashers, ou simplesmente curte o período, já que oferece muitas tentativas, mesmo que não exatamente dê certo.

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Vou colar uns trechos de histórias divertidíssimas contadas no livro Going to Pieces, provavelmente o melhor trabalho de pesquisa sobre o slasher já lançado, feito pelo Adam Rockoff. Como trabalho critico pode se encontrar em tudo que é canto coisas mais interessantes sobre os filmes, ele é bem limitado, mas como pesquisador, o trabalho é fenomenal. Não só sobre o ponto de vista dos filmes, mas diz muito sobre o mercado, a formação das produtoras independentes, e como esse mundo de Hollywood se organizou, ou organizava… A historia que vou traduzir aí é contada pelo William Lustig, fala das filmagens de Maniac, um dos seus mais notórios filmes, que trafega ali entre os slashers que podem ser bem questionados se de fato o são – o Maniac é um filme de vigilante, pra irmos no universo filme b de nomes.

Nós filmamos numa locação abaixo da ponte de Verrazano, na estrada para Brooklyn. É proíbido atirar com uma arma na cidade, é claro. [risadas] Você não pode atirar com uma arma, especialmente com a sua equipe ao redor. Mas o único jeito de conseguir o efeito com o impacto do vento e ver a cabeça explodindo, era atirando com uma arma de verdade. E a pessoa que ia atirar com a arma de verdade em sua própria cabeça era o Savini (n.e. Tom Savini era o ator da cena também). O que aconteceu foi que, logo que ele atirou com a arma, nós colocamos ela num carro, mandando um assistente correr com ela para New Jersey. Tira essa arma da cidade o mais rápido possível. E bem, nós precisavamos desse carro, pra terminar a cena. Nós precisavamos de um plano, com a garota no carro. Nós precisavámos de vários planos fechados no carro de várias coisas que não havia dado tempo de filmar. Lembrando agora, a gente colocou peru e camarão pra dar uma cara de cérebro pra cabeça, e muito sangue falso. Então, ali tinhamos um carro cheio de sangue falso, e nós não podiamos limpá-lo porque precisávamos da continuidade. E estávamos filmando no meio da noite. Então demos o carro para um cara dirigir para Staten Island, que era logo depois da ponte. E para você atravessar a ponte tem que passar pelo pedágio. E o cara estava com um carro com um buraco de bala no vidro, e muito sangue falso dentro. E ele passou pelo pedágio e pagou normalmente. Quando ele consegue sair, estavam ali seis carros de polícia avançando. E ali está ele, tentando explicar porque o carro não registrado está cheio de sangue e com um buraco no meio dele.

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