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Archive for julho \09\UTC 2012

Revi este filme do Sam Raimi que é geralmente tratado como um de seus trabalhos menos curiosos. Sempre gostei. Mas a lembrança era realmente distante, lembrava apenas tratar-se de um faroeste com uma olhar maneirista. Nada disso deveria surpreender ninguém que conheça o Raimi, mas obviamente isso não garante ao filme defesa.

O Raimi tem algo que é muito curioso – embora ele seja um destes cineastas que exalam as influencias, as construções reimaginadas, seu estilo, exceção feita a Um Plano Simples, é bem definido. Ele é um cartunista. Isso é fácil de identificar num Evil Dead, especialmente no Uma Noite Alucinante, onde o delírio se materializa sem que nada que aconteça na tela pareça verdadeiramente concreto. A alucinação não é táctil. No Rápida e Mortal, o Raimi reconstrói o universo mais simplório do western – num cenário curto, acanhado. de uma pequena ruela, diversos personagens comuns desse mundo se cruzam – a dama forte, buscando vingança, um bandido que comanda a cidade com sangue nas mãos, o bandido outsider que se torna pastor e termina pregando com o gatilho mais rápido do lugar, e o filho bastardo do vilão, um garoto marginalizado e sedento por um duelo com o pai. O que Raimi faz é levar esse estilo ágil, insano e vicioso ao videogame. O filme-videogame de Raimi antecipa, em muito, uma tendência que se tornaria muito concreta agora – há jogos, como LA Noire, que são muito mais inspiradores ao cinema do que grande parte dos chamados filmes de hoje. Mas isso não é o ponto – o filme é muito interessante. Não está apenas nos movimentos excessivos, no ritmo alucinante dos duelos, está na própria criação do espaço no filme. Na relação dos personagens, no espaço físico – onde seguramente poderia se trafegar num jogo sem se exigir os enormes mapas que os atuais possuem – e na construção estrutural, toda em torno de duelos que vão eliminando seus personagens, chamados pegajosamente de The Kid, Preacher, e afins. Seria interessante pensar porque o cinismo do Raimi consegue formar algo tão delicioso com esse tipo de material, mas funciona tão pouco quando se reduz a si, como no caso do The Gift e do citado Um Plano Simples. Sei que ele tem fãs que gostam mais desses filmes do que dos arrojados. Seria uma discussão válida. Enfim, acho que ele alcançou seu melhor em outros filmes, como o Darkman e o Noite Alucinante, onde a harmonia era total, mas não creio que o Rápida mereça o silêncio histórico.

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