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Concepção visual é desse nível aí com Freddie Prinze Jr., Jennifer Love-Hewitt, Sarah Michelle Gellar & Ryan Phillipe em Eu sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), de Jim Gillespie.

Estou trabalhando numa espécie de guia, que envolve slashers, o que naturalmente está me levando a reassistir algumas coisas, como esse filme dos anos noventa. Na época, no auge do revival dos slashers, fizeram-se muitos filmes na base das referencias, era muito sintomático do momento. Esse filme veio depois do Panico, e roubava muita coisa dele, menos o talento e a concisão pra conduzir um filme do tipo. Na verdade, ele é inacreditável de ruim, se pensarmos como slasher – o uso da criatividade pras mortes é inexistente. Não tem uma steady-cam que pareça fazer sentido, o que é muito importante em slashers, já que o plano em primeiro pessoa é uma marca, o personagem do assassino é simplesmente um vulto, cujo interesse é no máximo o do seu desenho. Digo isso porque o cara com um gancho na mão, visualmente, deveria ser um vilão digno, mas o que o filme consegue fazer com ele, é pouco ou nada. Jim Gillespie é o diretor, aquele que fez com Stallone um dos filmes que afundaram a carreira dele, D-Tox. Eu não acho tão fraoc, acho bem melhor que esse clássico dos 90s. O mais interessante é que o filme se passa numa cidade pesqueira, e tem toda uma relação que ele tenta realizar, com esse universo, e o fato do herói (Freddie Prinze Jr., o mito) ser de uma família mais pobre e se tornar um pescador ser sua opção pra vida, enquanto os seus amigos, que nem são amigos de fato, são riquinhos que participam de desfiles na cidade. Só que é tão tosco, que talvez o Eu Ainda Sei, que veio um ano depois, seja mais digno como anedota social que ele. Pelo menos lá, o filme finge menos que tudo é uma construção tosca para que personagens sejam cortados ao meio. O melhro desse filme é mesmo que, excessão do Prinze Jr. que foi astro numa época e só, o elenco tem atores decentes e de carreira digna, com Jennifer Love-Hewitt, Sarah Michelle Gellar e Ryan Phillipe sendo os outros jovens. O efeito pop do momento atinge o filme mas tem pouco de interesse aqui. O que só evidência que o talento nunca esteve na concepção estrutural do roteiro.

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Achei muito bom esse novo filme dos Dardenne. É evidente que muito do que sempre esteve continua lá, os humanismos exagerados, como o pai que abandona o filho mas não deixa de se preocupar com ele quando ele cai de um muro, mas vejo uma pequena mudança. Tem muito da agressividade – o personagem central é atormentado por espasmos loucos, ele não só comete erros, como os `humanos` de seus filmes, a questão aqui chega num ponto fisíco. É explosivo, fora de controle. A moral ainda circula, o amor da mulher por ele ainda é o que salva sua vida, mas o filme não é apenas um grande caminho pra isso. Há bem mais. Tem composições mais quentes, e a partir do Lorna, vejo que eles já lidam com sobrenatural. Nem tudo que se toca se explica, como a queda vertiginosa do garoto que sai andando, triunfante rumo a vida de amor que lhe espera. Daí que acho muito legal o exagero dramático da trilha – vai de colisão com o excessivo frio do resto, da fabula moral. Embora o caminho já apontasse para este lado, para mais experimentos, para o enriquecimento geral dos filmes, ainda assim não esperava ver algo forte assim, com peso que vai além da jornada determinada ao personagem. Não quero dizer que os outros são ruins, é argumentável que um seja melhor, mas vejo como filmes menos ricos, menos intensos. Talvez mais diretos, efetivamente, mas menos interessantes para além do `formato`.

O Garoto da Bicicleta (2011), de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Escrevi aqui sobre o longa anterior, Mangue Negro (2009), do Rodrigo Aragão, justamente porque achava que ele tinha um trabalho que se destacava. Ao contrário da maioria dos realizadores que vivem nesse meio de filme semi-amador, fazendo filmes trash pra consumo deles mesmos, o Mangue Negro se preocupava bem menos com essa expectativa do público. Esses filmes do submundo de horror brasileiro costumam ser preguiçosos, enchendo-se de thrash metal nas sequencias de terror, e basicamente vivendo de roteiros com piadas escatológicas. Tem sempre os caras com mais talento que se destacam. O Aragão era um deles, justamente porque tinha um toque de artesanato – filme de interior. Lidava com mitologias brasileiras, as trabalhava, pensava e criava em cima de coisas muito fortes, ao invés de só se alimentar e copiar filmes de zumbis. Esse A Noite do Chupacabras, que aparentemente é baseado num curta dele, que não vi, não tive oportunidade, é um passo atrás. A defensiva do Aragão anunciando o filme já revelava, de certa forma, a afragilidade dele.

Não acho que ele tenha perdido o toque pessoal. Ainda vejo nesse filme a predileção pelo interior, pela cultura local. Por tentar engendrar algo novo, estruturando uma briga entre duas familias que por terra e ego se atacam o tempo todo. Só que tudo isso perde qualidade se o filme simplesmente só joga as coisas lá. Elas existem, são legais, mas o filme é muito largado. O zelo que ele tem em tantas sequencias naquele filme, como o personagem do velho, o mesmo Marcos Konká que volta nesse filme, aqui parece muito tosco. O filme não tem cena, não tem construção. Técnicamente ele continua na frente da maioria dos realizadores independentes, até mesmo a forma de representar o chupa-cabra acho bem bolada. Mas enquanto lá o apuro dos efeitos se juntava ao trabalho de realização, aqui é só um mérito pequeno.

O filme parece não querer ser cinema. E sim uma brincadeira pra amigos, trabalhosa, feita com zelo e amor, mas uma brincadeira. Não consigo ver a forma como ele coloca as coisas em cena sem notar o carinho pelo universo, a empolgação com as piadas e as pessoas ali. Mas a coisa não vai e o filme só joga para a galera, como se palavrão levasse o filme nas costas. Claro que tem momentos que são engraçados, mas é muito pobre como cinema. Tem hora que parece que não tem ninguém dirigindo, que a coisa só se juntou na montagem e tentou se dar ritmo. Apesar do cuidado de sempre, da bagagem e universo interessante que ele tenta criar – sem sucesso, desta vez, são coisas que estão lá, mas que só as vejo assim, claras e com interesse, porque vi o outro filme dele, que era bom. Talvez se tivesse apenas visto este, se quer teria o que dizer a favor dele. O filme meio que abandona muita coisa, o chupa-cabra mesmo é um fantasma em cena, não tem nenhum valor além do signo. Se no outro o talento lhe colocava como um diferente, esse aqui nao é ruim, só é mediocre. Apenas um outro filme mediocre desses.

Mais que ícone, o mito Fred Williamson em Black Caesar (1973), de Larry Cohen

Black Caesar foi exibido na mostra de blaxploitation do CCBB/CineSesc, é um dos filmes mais paradigmáticos do Larry COhen. Não vejo como um dos melhores, mas ainda assim é um puta filme. É seguramente o melhor filme dessa mostra. Com todo respeito ao Jack Hill, que é um cara com talento, mas seus filmes ganham uma dimensão de público um pouco exagerada. Dentro da comunidade de cinema daqui, só se falou nisso. Enquanto um maestral Cohen estava ali, sem atenção – e olha que ele fecha bem melhor com o tema. Fred Williamson como chefão, cinismo no auge nas piadas-limite de teor racial. James Brown! Uma trilha inteira. O filme dele é um grande mosaico, arquétipo de subida e descida de um jovem que desafia a lógica, tomando dos gangsters um bairro. Cohen trabalha o tempo num nivel especial – estamos numa elipse frenética, anos se passa num corte, mas a dimensão da mudança é puramnete moral/dramaturgica. Sem obviedades e facilidades tipicas do cinema mais recente. Sem cartelas, sem avisos. Só cortes. O filme corre, como a vida do protagonista, rápida e exagerada, sempre no limite, até sua queda, ao estilo Cohen. O Hell Up in Harlem não passou, assim como muitos outros filmes legais do movimento. O próprio COhen fez uma homenagem em 1996, um filme bem legal. O Hell Up é continuação, que tem uma história genial: ao saber do sucesso do Black Caesar, o Larry Cohen foi até os cinemas ele mesmo mandar cortar o fim, na mão, pro protagonista não morrer. Tudo a ver com o cinema marginal brasileiro, em muitos sentidos…

ooo

Eu já sabia quem era esse grande Fernando Di Leo graças ao pessoal dos blogs de genero, que vivem mencionando sua existencia, e pelo Carlão, que já mencionou ele muitas vezes. Esse ano pude ver muitos filmes dele, mais de dez. O cara é mestre, por algum motivo ele acabou ficando mais pelo gueto do cinema italiano, sem alcançar um reconhecimento maior. Não é díficil entender sua obra : são filmes extremamente diretos, filmes de ação mesmo. Mesmo o único que vi que divergia um pouco no genero, era conduzido assim – seu estilo é puro, evidente. Poucos caras fizeram tantos filmes de ação tão fodas, ele fez pelo menos quatro filmes geniais. Aulas de matéria em movimento, montagem. Espetáculo.

Escolhi escrever sobre apenas um filme, para não cair em repetições – embora incriveis, singulares, seus filmes tambem são bastante semelhantes. Optei por Il Boss, por alguns motivos. O primeiro deles sendo que ele tem um dos grandes persongens do mundo dileoiando: Lanzetta. A face de Henry Silva diz muito sobre o cinema de Di Leo, esse ator duro, de face quase sem expressão. Ele fez muitos filmes com Di Leo, mas Lanzetta foi o melhor perosnagem, embora ele seja memorável em tantos outros, como no filme-testamento de Di Leo, o Killer contro killers. Nesse, o universo da máfia começa a colidir, e Lanzetta cresce num periodo de dias em meio a traições, passando de um homem de campo de ação, a um dos poucos comandantes que ficam de pé. É um filme de pouco respiro, que começa já com um primeiro ataque, curiosamente numa sala de cinema. Henry Silva só transforma um projetor em um canhão. Açáo em movimento, aula de como se conduzir uma montagem tensa sem que se perca todo o poder de imagem. Ele usa os ambientes, as cidades, os hábitos dos lugares de forma incrivel.

O Il Boss é de uma trilogia sobre a máfia em Milão que só tem obra-prima. Di Leo sempre trabalha nos cantos da ação com muita subversão, como a filha rebelde do chefão da máfia. Sequestrada, ela pouco se importa. Sua vida se tornou um grande vicio, no sexo e nas drogas. Em algum momento, Lanzetta cruza seu caminho. É o unico momento em que o destemido Silva parece sentir mais do que o desejo de seguir em frente. Numa batalha pela sobrevivencia, Lanzetta só sobrevive porque é o unico que não espera nada mais dos outros. Ele difere de muitos protagonistas dos outros filmes, mesmo os de Milão – são um pouco mais humanos, e consequentemente, o final para Lanzetta e para eles não é o mesmo. Há um certo fatalismo, e o futuro de Lanzetta deve ser tenebroso tambem, mas ele é um herói, e sua trajetória no filme termina com uma sinistra piada num “filme continua”.

Lanzetta estourando alguém em Il Boss (1973), de Fernando Di Leo

Fiz essa opção por falar sobre o As Presas, filme de horror de Antoine Cordier, porque conclui que os melhores filmes da Mostra, como The Day He Arrives, Sorelle Mai, As Canções, já tem a sua cobertura, devo fazer alguns comentários em breve sobre outro filmaço, o Histórias da Insonia, em outro veículo. Mas queria registrar este filme, que passou ali sem chamar a atenção, que causou revolta alias, pessoas sairam muito putas, falando que aquilo era ridículo. Extremamente comum, vindo de mostrófilos que não veem filmes inteiros, e que sempre esperam a mesma coisa de tudo que veem.

La Traque (2011), de Antoine Cordier

Não se trata de um filme dos mais fortes na sua completude. Mas ele tem momentos grandes, e estruturalmente mesmo os erros soam interessantes. A principal dificuldade, é que em meio ao horror no mato, ele parte para uma trama familiar delicada. Falta um tanto de mão com as sutilezas e brigas que ficam mais no campo externo ao filme, e nem sempre se tem o impacto que ele propõe. Mas o filme ão é apenas isso, e aquilo que fez a sala testemunhar a maior retirada que vi este ano (excedendo Mekas), é que é um filme duro, escuro, desagradável. O clima é forte, sempre que se foca mais na ação e menos no drama. Desconheço o cineasta, mas parece um caso de pouco experiencia. Pela forma como o filme cresce quando se desvencilha de sua armadilha. Tem uma cena incrível, em que o cara fica muito tempo soterrado em baixo de um porco selvagem. Um solo contaminado faz os porcos partirem como loucos contra tudo, e uma familia que sai pra caçar fica no meio disso numa noite. Fugindo em desespero, ele encontra apenas um dos porcos, já morto, como saída. Ele fica soterrado ensanguentado, sem respirar, tendo que lidar com os outros porcos, que o caçam, farejando seu cheiro, e seguindo seus pequenos movimentos. Ele só escapa porque fica tão imundo com o sangue do outro porco, que ele já não era mais humano para os outros. Sao desses momentos puro sangue, porrada, que o filme ganha respeito e o destaque. Não e um filme muito bom, mas tem muita cena boa. Merece ser visto fora da correria, smepre indo contra os filmes.

Arquitetei entrevistar o Don Coscarelli, no entanto infelizmente ele está finalizando um filme novo e mesmo se esforçando não pode ceder a entrevista nesse exato momento. Como esperei muito, resolvi ir em frente e mandar logo o post sobre os dois primeiros Phantasmas. Vi pela primeira vez esses filmes em VHS, muito tempo atrás, e uma das coisas mais marcantes era o aspecto road movie, batalha eterna que ele tem. Os personagens pelos filmes (são quatro) estão sempre numa mesma pegada, mesma corrida, emendando a perseguição ao temido ser do outro mundo, o Tall Man. Desta vez me apeguei a outras coisas, como o fato do filme ter um espirito folkiano, digamos. Do mundo pequeno, simples. São nessas cidadezinhas que o Tall Man faz sua passagem, sempre iguais, comunidades conservadoras, atropeladas pelos seres que o Tall Man faz.Pra quem não conhece a saga, nunca viu nada, o filme acompanha dois irmãos que vivem sozinhos, orfãos, quando um deles começa a ver que acontecem atividades estranhas acompanando um enterro, e descobrem que pelos cemitérios das cidadezinhas, o bando comandado pelo Tall Man, um ser de outra dimensão que transforma vivos e mortos em seres do seu mundo, implantam uma passagem pra outro mundo e vão destruindo sempre as populações. O Tall Man se alimenta do medo. E é incrívrel como o Mike, ainda pequeno no primeiro filme, não tem medo de nada. Essa noção de coragem explica bem o porque desse universo funcionar, os personagens nunca ßão desenvolvidos no campo mais profundo, eles são aquilo que fazem, são simples, diretos, definidos por sua coragem e generosidade. O trio é formado ainda com o Reggie, o cara mais legal do mundo. Enquanto o irmão mais velho fica no primeiro filme, num fim confuso, questionável, o Mike cresce, e volta no segundo como James LeGros, provavelmente num movimento dos produtores, nas demais continuações voltamos ao ator do original. O Mike original mistura melhor a vulnerabilidade com a pegada do personagem. O Legros faz o tipo galã, e fica meio esquisito, mas segura. O segundo é o pior pra mim mas essencialmente faz a s´rie ser o que ela é, um filme de constante perseguição, na estrada, em movimento. O Coscarelli não é nenhum genio, mas sabe construir as coisas a partir do pouco, das situações sempre menores, mas tem um característica que acho foda, a sensibilidade pra criar cenas marcantes. O Reggie tem uma incrível, que é uma coisa meio boba, sem maiores explicações. Ele toca a guiatarra, e do nada tem um momento de premonição, ele sente que tocando algo, que estava na sua guitarra, ele está se conectando com alguma coisa. É uma cena simples, mas forte, retomada no fim do filme, quando ele fecha os portais usando o mesmo toque na hastes como na sua guitarra. São momentos tão simples, sem formar um grande filme, mas um filme forte. E o ritmo, sempre progressivo, operário, sem exagero, sem cortes rápidos, no ritmo do caminhar. A trilha de pequenos acordes, segue o espirito operário, em marcha – evidentemente inspirada em Carpenter. Acho muito legal, e aos ratos do VHS que nucna tiveram a chance de ver, vale a pena, o filme tme estilo.

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